Pasteis de coelho e ervilhas... e uma simpática vizinha.


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A senhora dona ovelha é uma vizinha encantadora.
*
The lovely Mrs sheep is a charming neighbor.

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Passeia-se entre os verdes da erva e das árvores com que coabita, olhando-nos sempre de esguelha e do alto do seu sobrolho, como que desconfiada de quem lá vem. Cumprimentamo-la, sempre de forma cordial, a ela e aos seus companheiros de pastagem e, como bons vizinhos que somos, levamos-lhe ocasionalmente um ou outro mimo {desta vez umas belas ervilhas frescas} que ela teima em não aceitar.

Temos esperança que esta relação se aprofunde com o tempo.
*
She strolls among the green of the grass and trees with whom she cohabitates, always watching us sideways from the very top of her frowned brow, as if suspicious of who comes along. We greet her, in an always cordial manner, as well as her companions of pasture and as good neighbors that we are, we take her occasionally a treat or two {this time beautiful fresh peas} that she insists on not accepting at all.

We are hoping that this relationship deepens within some time.

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Por vezes, nos dias em que o calor se faz sentir de forma excecionalmente agravante, deixa-se apenas ficar refastelada na pequena sombra que a oliveira lhe dá e prossegue com a sua inquisição à relva com a demora própria de quem por ali vive. 
Outros dias há em que, juntamente o senhor dom pato, seu compincha de cantorias, se passeiam em ritmo certo enquanto cantarolam numa linguagem que nos aquece a alma e o coração. Verdadeiros amigos estes dois.
*
On occasion, in those days when the heat is felt in an exceptionally aggravating way, she allows herself to just stay sprawled on the small shadow that the olive tree gives her and continues its grass Inquisition with the delay proper only to those who live there.
Some other days, along with her singing pal, mister duck, they ride on their rhythm while chanting in a very own language that warms our souls and hearts. True friends those two.

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Prosseguimos o nosso caminho, completamente ignorados, esperando encontrar a senhora dona ovelha num outro dia de melhor humor. As ervilhas, essas, retornam connosco e rumamos à nossa pequena horta que já vai dando ares da sua bela e grandiosa graça {graças a um sogro muito especial} . Ainda não temos ervilhas, mas temos alfaces belas e deliciosas e pensamos que talvez a nossa vizinha concorde.

Sim, talvez uma alface ou quem sabe uma maçã. Afinal os bons vizinhos são para estimar.
*
We continue our path, completely ignored, hoping to find the lovely Mrs sheep on some other day in a better mood. The peas return with us and we head to our small vegetable garden that is already showing some of that beautiful and great grace {thanks to a very special father-in-law}. We do not have peas still, but we have beautiful and delicious lettuces and we hope maybe our neighbor agrees.

Yes, maybe a lettuce or an apple, who knows. After all, good neighbors must be esteemed.

{Fotografias em película de Nuno Ribeiro digitalizadas por Carmencita Film Lab}
{Film photography by Nuno Ribeiro developed and scanned by Carmencita Film Lab}

Ingredientes


Para a massa
  • 50 gr manteiga
  • 20 gr azeite
  • 100 gr água
  • 270 gr farinha
  • 1 pitada de sal
Recheio
  • 4 partes de coelho (pernas e/ou peito)
  • 1 cebola
  • 1 chávena de ervilhas frescas
  • 1 dente de alho
  • 1 fio de azeite
  • 1 c. sopa de farinha
  • 2. c. sopa de leite
  • 1 c. chá de folhas frescas de tomilho limão
  • 1 c. chá de folhas frescas de alecrim
  • 3 folhas de salva picadas
  • 3 folhas de hortelã picadas

Preparação

1. Para a massa, misturar a farinha, o sal e a água e juntar o azeite e a manteiga derretida. Amassar bem e deixar descansar por 1 a 2 horas.

2. Num tacho, colocar a cebola picada com o azeite e deixar alourar em lume médio. Quando a cebola começar a crepitar juntar o alho picado. Juntar o coelho e deixar dourar a carne, virando quando necessário.

3. Juntar as ervas picadas e as ervilhas e deixar cozinhar com o tacho tapado cerca de 20 a 30 minutos. 

4. Retirar o coelho e desfiar a carne o melhor possível. Voltar a juntar o coelho desfiado e, em lume brando, adicionar a colher de farinha e mexer bem. Juntar o leite para se formar uma espécie de creme. Retirar do lume e deixar arrefecer.

5. Estender a massa com um rolo e cortar circulos para fazer os pasteis. Rechear com o coelho e dobrar formando meias luas, fechando bem cada um.

6. Levar ao forno pré-aquecido a 180º até que os pasteis fiquem dourados. 




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 Bom apetite, Su


Linguine de pesto com tomate assado e ricotta... e umas ervilhas da época


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É deveras engraçado a experiência de sermos pais de gémeas.
Para todo e qualquer lado a que vamos, as pessoas param na rua para verem as meninas, para se meterem com elas, para nos perguntarem as perguntas a que já nos habituámos.

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Rapidamente passamos a ser conhecidos nos vários locais por onde passamos. Na pastelaria a senhora que sempre nos serve o pequeno almoço e guarda o pão, já parte em quatro a bolinha para as meninas tal como elas gostam.

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No mercado, o caracóis dourados que já conquistou umas quantas senhoras das bancas, lá vai recebendo uma cenoura descascada para comer ou uma flor para oferecer à mãe. E enquanto isso eu perco-me pelas bancas a ver os produtos melhores e mais frescos da época.

Uma senhora simpática com ervilhas que evidenciam o fulgor da primavera diz-me que não há melhor para os pequeninos. E eu peço-lhe que me encha um saquinho porque a verdade é que eu também não resisto às pequenas bolinhas verdes.

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Em casa e para um almoço demorado, depois de deitarmos as pequenas, faço um prato com sabor a primavera. 

E enquanto comemos, sem pressas, digo-lhe que espero que para a próxima semana haja mais.


Ingredientes


  • 100gr de ervilhas frescas
  • 500 gr Tomates cherry
  • 6 dentes de alho
  • 1 fio de azeite
  • 2 c. sopa de ricotta
  • 300gr de linguine
  • 3 fatias finas de presunto
  • Sal
Para o pesto
  • 1 punhado de folhas de mangericão
  • 1 c. sopa de queijo da ilha ralado
  • 1 punhado de nozes pecan (ou outro fruto seco)
  • 1 dente de alho picado
  • 1 chávena de café de azeite
  • 1 malagueta finamente picada
  • 1 c. café de vinagre
  • 1 pitada de sal
Preparação

1. Num tabuleiro de forno, colocar os tomates cherry e os dentes de alho. Polvilhar com o sal e regar com um fio de azeite. Levar ao forno a 200º cerca de 30 minutos.

2. Para o pesto colocar todos os ingredientes num robot de cozinha e pulsar algumas vezes até obter a consistência desejada.

3. Numa panela com água a ferver colocar as ervilhas e deixar cozer cerca de 6 a 8 minutos. Retirar para um recipiente com água gelada. Na mesma água cozer a massa até ficar al dente.

4. Quando a massa estiver cozida, escorrer reservando 1 chávena de café da água da cozedura. Na panela envolver a massa com cerca de 3 a 4 colheres de pesto e as ervilhas. 

5. Servir a massa e acrescentar por cima 1 c. sopa de ricotta e dispor os tomates e lascas de presunto.




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 Bom apetite, Su


Rolos de framboesas e morangos... e o regresso às origens


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Nos últimos tempos tenho dado por mim a reviver sensações muito mais vezes do que o que me é normal.

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Por vezes são as cores de uma casa, o reflexo do sol num objeto ou o negrume de uma casa de pedra velha, outras são os cheiros de uma erva menos comum ou até os sons que o campo, agora tão generosamente, me oferece.

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Regrido a momentos pontuais, até esquecidos num lugar longínquo da minha mente, e vejo a minha infância. Sinto, cada vez mais e mais, a nostalgia de vozes que não mais ouvirei ou de uma família reunida que nunca mais o será, sinto a nostalgia daquilo que não volta. Pergunto-me se estes sentimentos se tornarão mais e mais fortes com a passagem dos anos e, com uma certeza algo irónica, sei que sim. 

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Talvez seja essa a razão de me ver numa fase da minha vida em que tudo aquilo que quero é regressar às origens, a tudo aquilo que me faça reviver os momentos que guardo tão preciosamente.

Talvez chegue este ponto na vida de todas as pessoas, talvez depois dos filhos em que tantas perspetivas na nossa mente mudam.

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Não sei se daqui a alguns anos tudo isto deixe de fazer sentido, mas hoje, aqui e agora é isto que me aquece a alma. 

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Receita adaptada daqui


Ingredientes


  • 125 ml leite
  • 125 gr iogurte
  • 35 gr de fermento de padeiro fresco
  • 1 c. sopa de açucar mascavado
  • 80gr de manteiga vegetal
  • 220 gr farinha integral
  • 400 gr farinha trigo
  • 1 pitada de sal
  • 2 ovos (preferencialmente biológicos)
  • 250gr mel
  • 1 vagem de baunilha
  • 300 gr morangos
  • 100 gr framboesas

Preparação

1. No leite morno dissolver o fermento com o açucar. 

2. Misturar as farinhas com o sal e juntar-lhes o leite com o fermento, os ovos, o iogurte e a manteiga derretida. Deixar levedar cerca de 1 hora.

3. Abrir a vagem da baunilha longitudinalmente e remover as sementes com uma faca. Num tacho colocar o mel, os morangos partidos em pedaços e as framboesas em metades e juntar as sementes de baunilha. Deixar ferver por cerca de 5 a 8 minutos.

4Amassar bem a massa e estender numa superfície polvilhada de farinha. Por cima espalhar o preparado, reservando algum. Enrolar a massa e cortar tiras grossas do rolo. Dispor os rolinhos num tabuleiro de forno e por cima colocar o restante molho de morangos e framboesas.

5. Levar ao forno pré-aquecido a 180º durante cerca de 25 minutos.




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 Bom apetite, Su


Tarte Tatin de beterraba com ricotta... porque eu adoro beterraba.


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As beterrabas são possivelmente um dos vegetais mais odiados de sempre. Mas quanto a mim, adoro-a.
No mercado quando as vi soube que tinha de as trazer comigo e soube de igual forma que seria no forno onde iriam acabar.

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O Nuno jura a pés juntos que só lhe sabe a terra e não consegue perceber o meu fascínio por ela. Escusado, pois, será dizer que nem sequer provou a minha tarte que levou uma imensidão de tempo a preparar. 

Mas nem isso me demoveu de me entregar de corpo e alma à preparação desta receita. Cortei-lhe a ramagem, com alguns sentimentos de culpa confesso, enquanto as gémeas me arrumavam o armário dos tupperwares e preparei-as para levar ao forno. 

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Nos entremeios o Nuno pendurou varões na janela da cozinha, o Rafa ajudou as manas com os plásticos e ainda as levou à área das panelas e ainda conseguimos assar batatas e peixinho. Julgo que ainda fizemos mais umas quantas coisas. As beterrabas demoram realmente a assar. 

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E depois, bom, depois veio a parte fácil de montar uma tarte invertida e conseguir não tingir uma família inteira de magenta... ou cor de vinho. 

O resultado final, asseguro-vos, valeu muito a pena.

Ingredientes


  • 2 beterrabas grandes
  • 1 c. sopa de vinagre balsâmico
  • 1 c. sopa de manteiga
  • 1 placa de massa folhada
  • Folhas de hortelã a gosto
  • Folhas de tomilho limão a gosto
  • 1 c. sopa de ricotta (por fatia)
  • Sal q.b

Preparação

1. Arranjar as beterrabas e cortar as ramagens. Lavar bem e envolver em prata. Levar ao forno a 225º cerca de 60 a 80 minutos - dependendo do tamanho das beterrabas. No final deixar arrefecer.

2. Remover a pele das beterrabas e cortar em rodelas finas e numa tarteira de base amovível dispor de forma bonita, uma vez que a tarte será invertida no final. Polvilhar com o sal e regar com o balsâmico. Espalhar nozes da manteiga.

3. Colocar a massa folhada por cima, enrolando os rebordos de forma a que entrem ligeiramente pelos lados exteriores.

4. Levar ao forno a 180º cerca de 25 a 30 minutos. No final remover o rebordo da tarteira e virar para um prato. Dispor as folhas das ervas e servir com a ricotta.




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 Bom apetite, Su


Bolo de limão e salva com calda de salva... num momento de inspiração


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Quando sigo um blog há várias razões que me levam a querer continuar acompanhar o que por lá é escrito e partilhado.

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Com tanta escolha e opções neste mundo da internet julgo que também nós, leitores, nos tornamos cada vez mais críticos e criteriosos nos conteúdos que acompanhamos. Eu prendo-me em imagens bonitas e cuidadas acompanhadas de textos genuínos e cuidadosamente pensados.
E posso dizer que a maior e principal razão que me leva a acompanhar seja que blog for é, sem qualquer margem de dúvida, a busca de inspiração.

Quando sigo um blog, o que eu procuro são coisas bonitas, imagens deliciosas, partilhas inspiradoras. Posso dizer que há muito poucos blogs que siga em demanda de uma realidade pura e dura {chega-me a minha… confesso}.

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E é por isso que o meu blog é uma partilha, não de uma realidade pura e dura, mas de uma realidade que visa inspirar. E digo realidade porque assim o é. Ainda que não a total realidade do meu mundo, parte da minha realidade de qualquer forma.
Hoje em dia, todos os meus posts são criteriosamente pensados e elaborados tendo sempre como objetivo principal a qualidade do conteúdo e a história que é contada como forma de inspiração. A história que está lá é real, são os meus cozinhados, é a minha família, os meus dias, a minha vida que partilho aqui. Simplesmente são momentos, histórias, pedaços selecionados.

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Se a minha vida é todo um mar pura calma, refeições lentas, passeios no parque e momentos absolutamente felizes? Absolutamente não. Há tantas outras coisas que fazem parte da minha vida, como da de qualquer pessoa. E convenhamos… ninguém acreditaria realmente que assim o fosse.

Mas quem aqui vem, quem me acompanha, procura algo. Quem me segue procura uma certa leveza, procura talvez um pouco da luz das minhas fotos num dia cinzento, procura uma refeição aconchegante num dia caótico, procura quem sabe… uma esperança e um apoio de saber que não é assim tão difícil ou complicado ter dois bebés ao mesmo tempo… ou três. Procura sorrir e fechar a página sentindo-se – assim espero – melhor do que quando a abriu. E por isso me continua a seguir.

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E é precisamente esta paixão que me faz continuar, que me faz amar este meu pequeno pedaço de mim. Saber que quem está do outro lado termina a leitura com um sorriso nos lábios ou com mais força para encarar os desafios da vida. Talvez mesmo com mais coragem para agarrar um sonho antigo.

E eu por cá vou continuando a partilhar e {assim espero} a inspirar. A partilhar receitas, histórias, fotos… o que quer que faça parte deste meu pequeno mundo.

E espero, honestamente e de coração aberto, que vocês desse lado continuem a sorrir e a voltar.
Ingredientes


  • 140gr de manteiga 
  • 1 chávena de açucar
  • 2 c. sopa de sumo de limão
  • raspa de 1 limão
  • 1/2 chávena de óleo de amendoim
  • 3 ovos
  • 1 1/2 chávena de farinha
  • 2 c. chá de fermento em pó
  • 1 c. café de sal
  • 1 c. sopa de salva picada muito finamente
para a calda de salva


  • 4 c. sopa de açucar
  • 1 chávena de água
  • 12 a 16 folhas de salva
Preparação

1. Pré-aquecer o forno a 180ºC

2. Bater a manteiga com o açucar durante algum tempo para que se forme um creme. Juntar o sumo de limão, a raspa de seguidamente o óleo e os ovos, um a um. 

3. Reduzir a velocidade e juntar a farinha com o fermento, o sal e a salva. Bater até ficar muito bem incorporado. 

4. Deitar o preparado numa forma untada e polvilhada de farinha. Levar ao forno cerca de 45 a 55 minutos ou até que o palito saia seco.

5. Numa caçarola colocar o açucar, a água e as folhas de salva. Deixar ferver até que comece a formar caramelo, mas tendo o cuidado para não deixar formar o caramelo castanho. Se necessário juntar um pouco mais de água para que fique com uma consistência de calda. Muito cuidado e não colocar o dedo para provar nesta fase.

6. Deixar o bolo arrefecer ligeiramente antes de desenformar e servir com um pouco da calda.




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 Bom apetite, Su


09 10