Cocottes de frango, tomilho e nozes... e o mar

{Chicken, thyme and walnuts Cocottes... and the sea}

Entre um beijo e um sorriso ele disse-lhe, em forma de sussurro como quem sabe exatamente o que isso significa, que a levaria a ver o mar. Com um toque leve desviou-lhe o cabelo do rosto como sempre fazia e olhou-a nos olhos. Ela suspirou, retribui-lhe o olhar e disse que sim com aquele entusiasmo próprio de uma criança que recebe um doce.
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Between a kiss and a smile he told her, in a whisper, knowing exactly what it means, that he would take her to see the sea. With a light touch he turned a strand of hair away from her face in an already usual movement and looked into her eyes. She sighed, returned his gaze and said yes with such enthusiasm as if a child receiving a sweet.

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Passearam sem pressas, percorreram as pedras da calçada enquanto conversavam e, tal como ele prometera, foram ver o mar. 
O sol brilhava timidamente entre as nuvens que em breve se lhe sobreporiam e ambos se deixaram levar pelo som das ondas agitadas enquanto o resto da vida parava, ainda que por breves momentos, para que eles pudessem desfrutar aquela imensidão de azul e de paz. 
Ela perguntou-lhe se podiam ir comer um queque, daqueles que costumavam comer sempre que lá iam. Ele, como sempre fazia quando ela lhe pedia algo, disse que sim sem sequer hesitar.    
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They strolled unhurriedly, walked the cobblestones as they talked and, as he had promised, they went to see the sea.
The sun was shining timidly among the clouds that soon would overlap and both were carried away by the sound of the agitated waves while the rest of their lives stopped, even if briefly, so that they could enjoy that immensity of blue and peace.
She asked him if they could go eat a cupcake, one of those which they used to eat whenever they went there. And, as he always did when she asked him something, he said yes without even hesitating.

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Essa foi uma tarde simples, sem nada demasiado especial ou de elevada importância, mas que ficou guardada no coração dela. Uma tarde em que viu o mar e viu, uma vez mais, o amor nos olhos dele e em todos os seus pequenos gestos.
E quem sabe talvez, um dia quando ambos forem velhinhos, ela recordará ainda nitidamente as ondas desse dia e lhe pedirá, uma vez mais, para irem de novo ver o mar.     
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That was a simple afternoon with nothing too special or of high importance, but it was kept in her heart. One afternoon in which she saw the sea and saw, once more, the love in his eyes and in all of his smallest gestures.
And who knows maybe one day when they are both old, she will still clearly remember the waves of that day and ask him once again to go see the sea.

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{Film Photography by Nuno Ribeiro developed and scanned at Carmencita Film Lab}  




Ingredientes
  • 300gr farinha espelta branca biológica
  • 130gr manteiga
  • 70ml de água fria
  • pitada de sal
Recheio
  • 1 colher de sopa de óleo de coco biológico
  • 1 chalota picada
  • 300 gr de frango cozinhado desfiado
  • 300 ml de leite biológico
  • 30gr farinha espelta branca
  • 15gr de manteiga
  • 1 colher de sopa de folhinhas de tomilho limão
  • 1 punhado de nozes
  • 3 colheres de sopa de queijo da Ilha

Preparação

1Amassar a farinha com o sal, a manteiga e a água e formar uma bola. Esticar com o rolo numa superfície enfarinhada e cortar discos com o auxilio das cocottes que se irão utilizar.

2. Pré-aquecer o forno a 180ºC

3. Num tachinho colocar o óleo de coco com a cebola e cozinhar em lume médio até a cebola alourar. Juntar o frango desfiado, as nozes e o tomilho-limão e deixar alourar um pouco.

4. Acrescentar a manteiga e deixar derreter. Juntar a farinha e mexer muito bem de forma a que a farinha cozinhe na gordura e se misture com os sabores. Juntar o leite, continuando a mexer e deixar engrossar até obter um molho cremoso.

5. Distribuir o recheio pelas cocottes e cobrir com as tampinhas de massa. Levar ao forno cerca de 15 minutos, ou até as tampas dourarem bem. No final desse tempo, virar as tampas ao contrário, polvilhar com o queijo e levar de novo ao forno até o queijo dourar ligeiramente.



Tarte de Repolho com frango... com a Quinta do Arneiro

{Cabbage and chicken tart... with Quinta do Arneiro (organic farm)}

Cresci a ir aos mercados com a minha mãe e a saber escolher quais os melhores bróculos, quais as alfaces de cultivo caseiro, quais os tomates melhores e quais os de produção industrial.
Um dos maiores ensinamentos que tive e com o qual vivo a minha vida é de que a alimentação e a escolha daquilo que trazemos à nossa mesa e à da nossa familia é o maior legado que podemos ter. 
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I grew up going to the market with my mother and learning how to choose what the best broccoli were, which were the home grown lettuces, which were the best tomatoes and which ones were from industrial production.
One of the biggest lessons I have had and with which I live my life is that the food and the choice of what we bring to our table and our family's is the greatest legacy we can have.

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Não é pois de estranhar que na minha cozinha só entrem produtos biológicos, aqueles produtos que por vezes vêm da vizinha do lado, da aldeia de quando lá vamos ou aqueles que compramos no mercado às velhotas que não têm muito mas apenas aquilo que a hortinha deu este ano. 

Não se trata de uma moda, trata-se de um estilo de vida em que acredito. Porque acredito efetivamente que somos aquilo que comemos. Acredito em minimizar ao máximo a quantidade de quimicos, hormonas, antibióticos e afins que coloco na minha mesa e no meu prato e acredito que isso contribui em grande escala para a minha saúde e da minha família.  
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It is therefore not surprising that in my kitchen are only allowed organic products, those products that sometimes come from the neighbor next door, from the village when we have the chance to go there or those we buy in the market to the old ladies who do not have much but just what the vegetable garden gave this season.

This is not just some momentum thing, it's a way of living. Because actually I believe that we are what we eat. I believe in minimizing the most I can the amount of chemicals, hormones, antibiotics and the likes on my table and on my plate and I believe this contributes on a large scale for my health and my family's.
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E não é de estranhar pois que me tenha identificado de imediato com a filosofia da Quinta do Arneiro. Com uma produção biológica e mesmo ao lado da minha casa, na belíssima zona de Mafra, esta quinta tem valores com os quais me identifico e produtos com verdadeira qualidade. 
Com a Luísa e a sua equipa partilho a opinião de que a natureza tem as melhores receitas para uma vida longa e saudável e que a agricultura biológica é a única saída para um mundo melhor e mais sustentável. 
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It is not surprising therefore that I immediately identified myself with the philosophy of Quinta do Arneiro. With organic production and right next to my house, in the beautiful area of Mafra, this farm has values with which I believe and products with real quality.
With Luísa and her team I share the view that nature has the best recipes for a long and healthy life and that organic farming is the only way to a better world and a more sustainable one.



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Os cabazes que me chegam são belos com os seus produtos perfeitamente toscos e imperfeitos, repletos de sabor e verdadeira qualidade e, sabendo que o que lá vem é o que a época nos dá, torna-se o mote para usar a imaginação e reinventar sabores.

E assim nasce uma tarte adaptada de uma receita originalmente francesa que me deixa a ansiar por mais um cabaz e mais um desafio. 

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The baskets that come to me are beautiful with their perfectly and imperfect rough goods , full of flavor and true quality and, knowing that what they hold is what the season gives us, the motto becomes to use your imagination and reinvent flavors .

And so this tart is born, adapted from an originally French recipe that makes me yearn for another basket and more challenges like this one.


Este post foi feito com o patrocínio da Quinta do Arneiro





Ingredientes

  • 1 repolho médio  (biológico)
  • Manteiga para barrar
  • 1 c. sopa de óleo de coco (ou azeite)
  • 1 cebola picadinha  (biológica)
  • 2 cenouras cortadas em pedacinhos  (biológicas)
  • 1 dente de alho
  • 300 gr de peito de frango (biológico) 
  • 1 folha de louro
  • 1 raminho de tomilho limão  (biológico)
  • 1/2 c. chá de especiarias Rabelais (ou mistura de cominhos e noz moscada)
  • 200 gr de tomate pelado (biológico) 
  • 1 ovo  (biológico)

Preparação

1. Colocar uma panela com água a ferver. Lavar e separar as folhas do repolho removendo a parte mais dura do caule. Escaldar as folhas durante cerca de 8 minutos, escorrer e reservar.

2. Barrar uma forma redonda de bolo com manteiga e colocar no fundo uma das folhas maiores e mais bonitas. Por cima colocar mais folhas de forma a cobrir os lados.

3. Num tachinho colocar o óleo de coco e juntar a cebola e cenoura picadas e cozinhar até que amoleçam. Juntar o frango picado, o alho, as especiarias, o louro, o tomilho e sal e deixar que a carne cozinhe. 

4. Juntar o tomate e os sucos, envolver bem e deixar cozinhar até que quase todo o liquido tenha evaporado, cerca de 10 minutos. 

5. Pré-aquecer o forno a 180ºC

6.  Quando a carne tiver arrefecido, descartar o louro e o tomilho e juntar o ovo batido envolvendo bem. Colocar uma porção da carne por cima da couve e cobrir com 2 folhas mais do repolho. Repetir até acabar a carne e fechar as pontas do repolho.

7. Levar ao forno por 40 minutos. Desenformar e servir de imediato.

*receita adaptada de A Kitchen in France




Pão de soda de espelta (e o meu buttermilk)... e o regressar a casa

{Spelt Soda Bread (and my buttermilk)... and returning home}

Acordar ao som de uma porta a fechar lá fora ou da água a correr no duche é algo que hoje em dia me parece um sonho só realizável ocasionalmente.
Abrir os olhos naturalmente ao invés de acordar ante os lamúrios pelo leitinho ou com as perguntas já sempre presentes ao fim de semana... "já é de dia? ... já é hora de acordar mãeeeeee?"
Ah sim, um verdadeiro sonho acordar um dia que seja ao lado dele, só os dois.     
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Waking up to the sound of a closing door outside or running water in the shower is something that today seems a dream feasible only on occasion.
To open my eyes naturally instead of waking up before whinings for milk  or questions nowadays always present at weekends ... "is it day already? ... Is it time to wake up mommyyyy?"
Ah yes, truly a dream to wake up for only one day next to him, just the two of us.

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Um fim de semana que seja, ausentes de tudo e todos é algo pelo qual ambos ansiamos frequentemente e fazêmo-lo porque sabemos o quanto isso significa para nós enquanto casal mas também enquanto pais.
O desligar um pouco de todas as obrigações que temos no dia a dia, a sensação de liberdade nas pequenas coisas de um dia por nossa conta, o sermos apenas nós enquanto casal, namorar e trocar mimos sem a interrupção de pequenas vozinhas que pedem mimo elas também.    
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For only a weekend, away from everything and everyone is something which both of us often yearn and we do it because we know how much it means to us as a couple but also as parents.
To turn off a little from all the obligations we have in everyday life, the feeling of freedom in the little things in a day on our own, to be just us as a couple, dating and exchanging caresses without the interruption of small little voices asking the same for them.

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Mas o melhor de tudo? O melhor de um fim de semana longe de casa?
Regressar a casa. 

Voltar ao nosso lar, sermos recebidos de braços abertos e risos de extase, sentirmos que é aqui que pertencemos verdadeiramente.
E celebrar, claro, à mesa como não podia deixar de ser. Com um lanche reconfortante, um pão acabado de sair de forno, crocante e quentinho que nos enche a alma e nos faz sentir verdadeiramente em casa.   
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But the best of it all? The best of a weekend away from home?
To return home.

Back to our home, to be welcomed with open arms and laughter of ecstasy, to feel that this is where we truly belong.
And to celebrate, of course, at the table as it could not be otherwise. With a comforting snack, a freshly baked bread out of the oven, crispy and warm that fills our souls and makes us feel truly at home.

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E este tornou-se um pão de eleição na nossa familía. Pela rapidez com que é feito, pelo sabor absolutamente delicioso, pela contraste da textura crocante exterior e consistência do interior.
Porque poucas coisas há que nos façam tão felizes como um fim de semana a dois ou o barrar da manteiga numa fatia de pão quente e partilhá-la com os nossos filhos.  
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And this bread has become a favorite in our family. Because of how quickly it is done, the absolutely delicious flavor, because of the contrast of the outer crunchy texture against the body of the interior.
Because there are few things that make us as happy as a weekend between just the two of us or to spread butter on a slice of warm bread and share it with our children.

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{Film Photography by 
Nuno Ribeiro developed and scanned at Carmencita Film Lab


Ingredientes

  • 1 3/4 chávena de farinha de espelta integral
  • 1 3/4 chávena de farinha de espelta branca
  • 1 c. chá de sal
  • 1 c. chá de bicarbonato de sódio
  • 2 c. sopa de manteiga
  • 1 ovo
  • 1 c. sopa de flocos de aveia
Para o buttermilk

  • 3/4 chávena de queijo Quark
  • 1/4 chávena de leite
Preparação

1. Pré-aquecer o forno a 215ºC.

2. Numa taça grande juntar as farinhas, o sal e o bicarbonato de sódio. Juntar a manteiga fria e desfazer com os dedos, apertando contra a farinha de forma a incorporar.

3. Numa taça à parte juntar o quark e o leite e misturar bem. Juntar o ovo e bater.

4. Fazer um buraco no centro da farinha e juntar a mistura, reservando apenas um pouco do buttermilk. Com a mão incorporar a farinha no liquido de forma rápida de forma a não trabalhar demasiado a massa. A massa deverá ficar mole mas não demasiado liquida.

5. Colocar numa superfície enfarinhada e formar um disco redondo com cerca de 4 cm. Fazer uma cruz com uma faca afiada e afastar ligeiramente a zona cortada. Pincelar com o restante buttermilk e polvilhar com os flocos de aveia.

6. Levar ao forno por cerca de 15 minutos e depois reduzir para 200º. Deixar por mais 30 minutos ou até o pão fazer um som ôco quando batido por baixo




09 10