Até estarmos nelas...

A amamentação é realmente algo duro e complicado. Sempre disse que iria amamentar a todo o custo e que não compreendia quem desistia. A verdade é que só sabemos exatamente o dilema da amamentação até sermos nós próprias a estar nessa situação.
Antes de prosseguir gostava de dizer que ainda estou a amamentar o meu Rafael com quase 5 meses. Não foi nada fácil, foi duro e só então compreendi porque tantas mulheres acabam por desistir.
O facto é que tempos houve – no tempo dos nossos pais (isto para a geração agora na casa dos 30) – em que se menosprezou por completo a amamentação e quase ninguém amamentava, por falta de informação e também por modas.

Hoje em dia estamos no outro extremo em que não amamentar é quase um crime, sendo mesmo feita uma espécie de marginalização. Obviamente que o leite materno é o mais precioso que podemos dar aos nossos filhos – não acreditasse eu nisso e teria desistido nos primeiros dias em que o meu pequeno passou fome – mas também é verdade que existe uma pressão tão grande que acaba por ser uma forma de stress e ansiedade para as mães.
Após 15 dias do nascimento do meu bebé constatei que ele era preguiçoso à mama e por isso não mamava como devia ser o que acabou por fazer com que o meu leite começasse a ser produzido em pouca quantidade. Tive de lhe introduzir o suplemento – afinal o importante era ele e não a minha mania de querer amamenta-lo e por muito melhor que fosse o leite materno (LM), era sempre preferível o leite artificial (LA) como suplemento do que ele passar fome. O primeiro biberão que lhe dei foi acompanhado por muitas lágrimas da minha parte. Nessa noite ele dormiu 4 horas seguidas pela primeira vez na curta vidinha dele, ao invés de uma horita ou duas no máximo.

E foi aí que percebi que não era o fim do mundo ele não ser amamentado – eu própria também não fui e nem o meu marido e somos pessoas extremamente saudáveis. O fato de saber que ele estava bem alimentado tirou-me um peso de cima e a verdade é que me deu uma tranquilidade e também alguma liberdade que até ali ainda não sentira.
Mais calma e com uma visão completamente diferente, resolvi tentar estimular o peito com a bomba elétrica. Mas já não fazia daquilo uma obsessão, simplesmente iria tentar e ser persistente sabendo ao mesmo tempo que se não conseguisse isso não seria o fim do mundo. Amor, carinho e proteção isso sim era fundamental para o meu bebé, e isso sim devia ser a minha obsessão.
Com isso em mente, felizmente consegui aumentar a produção e arranjar uma estratégia para que ele tivesse o LM e abandonasse gradualmente o LA. Esteve apenas 4 dias a fazer o suplemento artificial e como consegui extrair passei a dar a maminha seguida sempre de um biberão com o meu LM. Até hoje.

Mas com isto quero dizer que eu quase tive de deixar de amamentar o meu bebé e sentia uma culpa enorme por isso. E isso não é de todo correto. Nenhuma mãe ama mais o seu bebé do que nós próprias amamos os nossos. Fazemos tudo por eles, e é por isso mesmo que devemos sempre pensar que são eles o mais importante e não as nossas convicções ou aquilo que a sociedade nos impõe.
Além disso acredito que foi a capacidade que tive de ver as coisas sob outro prisma e que me conferiu a tranquilidade que necessitava, para conseguir que o leite não me secasse.

Amamentar é uma tarefa que se pode revelar extremamente dura. E acredito honestamente que a grande maioria dos casos se passa tal como o meu: problemas do bebé ao fazer a pega ou simplesmente derivados de preguiça – afinal de contas os bebés não nascem ensinados mas têm de aprender – originam um défice da produção de leite o que causa grande ansiedade na mãe. Daqui a concluir que o bebé passa fome é uma questão de dias, e uns aprendem a fazer o trabalho direito enquanto outros não. A isto junta-se os peitos extremamente dolorosos e agredidos, as mastites, o cansaço de noites mal dormidas…
É pois, a meu ver, perfeitamente compreensível que muitas mulheres desistam da amamentação. E honestamente não considero, de todo, que sejam piores mães. Acredito, isso sim, que a amamentação deve ser algo natural e querido pela mulher.
Acredito que para bem do bebé, é fundamental uma mãe tranquila e feliz, seja de que forma for. É esta a minha visão da amamentação.

Com quatro meses e meio, o Rafael iniciou a papa com muito sucesso. Adaptou-se lindamente à colher e receio que agora vá ficar um pequeno buda, pois está um bebé bem grandinho.
Acima de tudo está, e é, um bebé feliz.





Bom Apetite, Su

23 comentários:

  1. Sei como são esses dilemas Su, sempre amamentei os meus 4 filhotes até aos 4/5 meses depois não ficavam satisfeitos, choravam e aumentavam pouco de peso e passei, com grande tristeza minha, para o leite em pó e eles logo o preferiram e o meu, ao secar completamente fazia sentir-me vazia e triste....Mas é a vida e não temos porque nos culpar e nem sentir mal hoje sei isso e compreendo melhor mas nessa fase estamos umas choronas e sensiveis verdade??hehehe

    beijokas para ti e para o teu filhote LINDOOO!!!

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  2. Meus Deus, é preciso muita coragem e esforço pelo que li!
    Força!

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  3. O mais importante é mesmo que eles [filhos] e nós [pais] sejamos felizes e nos saibamos adaptar!

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  4. Compreendo-te tão bem.
    E ele está tão lindo!
    Bjs

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  5. e lindo!

    gostei do teu ponto de vista, acho que h+a mts coisas que stressam as recem mamas e papas e a culpa por tudo e por nada é uma delas.

    felicidades para todos :)

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  6. Su não é nada facil amamentar, eu amamentei os meus até ao ano, só começaram a papa aos 6 meses.
    Mas é uma tarefa difici, nem todas conseguem...
    Só não concordo com algumas dissem que dar mama é mais facil!
    O Rafael é lindo!
    Bjs.

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  7. Su eu não sou mãe, mas tenho ouvido diversas opiniões acerca deste assunto, na verdade concordo contigo quando é possível amamentar optimo, quando por diversos motivos somos "impedidas" de o fazer não é por isso que gostamos menos do nosso bébé.

    Adorei ver o Rafael, esta lindo Su. A mamã trata-o muito bem :)

    Beijinho

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  8. Sú, ao ler-te lembrei-me de quando amamentei o meu filho e lembro-me que passei pelo mesmo dilema. Só que no meu caso aos fim dos 15 dias o meu filho como não se sentia satisfeito com a mama, optei pelo suplemento. Agora penso que se calhar se tivesse insistido mais talvez o tivesse amamentado por mais tempo! Ele foi muito mauzinho :), só terminava a mamada quando se sentia satisfeito, não tinha hipótese sequer de interromper para mudar de mama :).
    Senti-me frustada na altura, porque me tinha mentalizado de dar mama por mais tempo. Contudo tenho consciência que o que fiz foi por amor.

    O teu bebé está um rapagão... lindo!

    Beijinhos

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  9. Descobri este blog através de outro e estou deliciada. Que blog fantástico, adorei! Parabéns!
    Eu já estou a seguir. ;)

    Beijinhos

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  10. Cucu!

    Amamentei o Pedro até aos 5/6 meses. Amamentei?! Quer dizer... tentava durante meia hora todas as estratégias, depois retirava o leite com a bomba e de seguida dava-lhe do meu leite no biberão. Foi assim até regressar ao trabalho, exausta! Não tinha tempo para nada! Estava presa em casa...

    Quando soube que estava grávida do André, a primeira coisa que disse a mim mesma é que não iria passar por tudo aquilo novamente! Se fosse algo natural, muito bem... senão... esquecia!

    Felizmente, calhou-me um miúdo que é viciado em mamar. Felizmente tenho muito leite. Felizmente consegui a amamentação em exclusivo até aos 6 meses e ainda continuo a amamenta-lo quase com 10 meses. Felizmente... mas se não desse, já não iria ficar triste nem depressiva como fiquei na altura do Pedro, porque o estado em que eu ficava fez com que fizesse com ele muito menos do que aquilo que poderia e deveria ter feito!

    Eu sei que a pressão é muita, mas essa pressão é mais imposta por nós mesmas do que pelos outros. Nós é que distorcemos aquilo que nos dizem, muitas vezes. Quando deixei de amamentar o Pedro, porque atingi o meu limite, pensei que todos iam comentar e ia cair o carmo e a trindade, mas... ninguém se interessou, ninguém comentou. E eu apercebi-me que EU e só eu é que estava a ser obsessiva.

    Com o fim de uma amamentação como essa, passei a ter mais tempo livre para mim e para brincar com ele. Passou a ser possível sairmos de casa e estarmos com os nossos amigos. Senti-me livre novamente.

    Mas Su... desta vez a amamentação tem sido absolutamente maravilhosa! O mais natural possível! Tenho vivido momentos maravilhosos! Cada caso é um caso, como vez! E eu torço para que num próximo filho possas sentir isto, porque tinhas tanta vontade de amamentar e não tiveste a melhor experiência de todas. Por isso torço para que da próxima seja como comigo, porque vais-te sentir no céu... e era assim que devia ser sempre, não é?

    Beijinhos!

    Ah! O teu filho... LINDO! LINDO! UM BONECO!

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  11. paula MARIANA,
    Sim, a verdade é que aliado a todas as pressões a que ficamos sujeitas nessa fase, também estamos muito mais sensíveis pelo que isso ainda agrava mais a situação.

    Tixa,
    Cada experiência é diferente. E é preciso alguma força e coragem sim, mas julgo que também é uma coisa que vem nem sabes bem de onde e que é compensada em pleno por eles, os nossos bebés. A questão fundamental a reter aqui é que não devemos recriminar-nos se as coisas correrem de forma diferente porque para que tudo flua bem é necessário acima de tudo estarmos calmas e tranquilas.

    Luisa Alexandra,
    Nem mais Luísa.

    Sofia,
    Obrigada :) Beijos para ti também

    aloucura,
    Muito obrigada :)

    Felismina,
    Nem pensar, dar de mamar é bem mais complicado, stressante e desgastante sobretudo na fase inicial. Ora porque não estão a pegar bem, ora porque os peitos nos dão dores fulminantes, ora porque estão completamente dependentes de nós o que nos deixa presas de certa forma, ora porque o leite parece ter fases em que vem em menor quantidade, ora porque não sabemos se eles estão a ingerir leite suficiente, e ora muitas outras coisas.
    Mas no final vale a pena.

    Mónica,
    Obrigada :) grande beijinho

    Susana,
    Penso que cada situação requer ações diferentes. Não te deves recriminar porque na altura fizeste aquilo que te pareceu mais acertado para ele. É fácil passado essa fase dizermos que podíamos ter insistido mais, mas na altura o sentimento e horror de que eles possam estar a passar fome impôe-se e a verdade é que não queremos que se prolongue nem mais 1 hora. Por isso fizeste o que devias ter feito.
    Beijinhos

    Sorriso ツ,
    Muito obrigada :)

    Lebasiana,
    Também já tinha acompanhado as tuas experiências.
    Apesar de a fase inicial ter sido dura e complicada, hoje em dia posso dizer que é dos melhores momentos que tenho com ele, sobretudo agora que ele já interage comigo - como parar de mamar, olhar para mim e sorrir ou até 'falar' comigo... e isso não tem preço. Portanto a experiência não foi/é de todo negativa. Dificil sim, dura também, mas valeu cada dificuldade ultrapassada.
    Simplesmente concluí com o tempo que, independentemente de se conseguir ou não amamentar, o importante e fundamental é a tranquilidade da mãe para que possa proporcionar essa mesma tranquilidade e paz ao bebé... e que isso é fundamental a meu ver para o sucesso da amamentação.
    E Obrigada pelos elogios ao meu pequeno budinha :D

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  12. Su, eu amamentei o meu filho até aos 2 anos e meio!Foi uma completa loucura e só deixou porque eu tive que viajar e essa ausência serviu para quebrar os laços.Há muitas teorias,muita informação certa e muita errada,mas acima de tudo cada caso é um caso e,com os meus filhos tenho aprendido que muitas vezes o nosso instinto maternal é o que está mais certo!parabéns ao pequeno buda!

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  13. Passei pelo mesmo e também sempre pensei que amamentar seria fácil. Amamentei até aos 14 meses porque o meu filho ficou doente e recusou o leite. Depois disso, passou a beber leite de transição. Uma mamada a menos (na fase das papas e das sopas), custava-me horrores psicologicamente. Pensava que iria ser o fim da amamentação. Sofri imenso para amamentar. Tive imensas dores e não foram só as 1ªs semanas, tal como dizem. É imensamente cansativo e no meu caso, doloroso, até. Cheguei a ter mastites e no início, tive de comprar uma bomba de leite para estimular a produção de leite. Há que deixar testemunhos dos benefícios que traz o leite materno mas há que também deixar testemunhos que ajudem a combater o trauma de quem não conseguiu fazê-lo. E conheço algumas pessoas que se sentem ainda mal com isso.
    Gostei desta variante do blog.
    Beijinhos

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  14. Olá Su, parabéns pela persistência e pela tranquilidade frente às dificuldades. Independentemente de amamentares ou não, o mais importante é o bem-estar do Rafael (que tem um olho verde lindo de morrer)!!!
    Beijinhos

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  15. muito obrigada pela pronta e tão simpática resposta. realmente o novo blog é completamente diferente do eu que conhecia ;) aproveito para dar os parabéns ao lindo, lindo bébé, e dizer que com vou seguir o blog com muito gosto. felicidades :)

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  16. Como eu te compreendo. Se eu não tivesse tanta vontade em amamentar teria certamente desistido. Foi muito difícil e hoje não vejo o que ganhei com tanto sofrimento. Amamentei até aos 4 meses e meio. No fim, senti-me feliz por ter conseguido mas mais aliviada por me sentir mais livre.
    Começou a dormir a noite inteira o que me fez imensamente bem :)

    beijinho, su

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  17. Bellissimo il tuo cucciolo...complimenti e buone pappe a Rafael allora...ciao.

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  18. Eu confesso que desisti da obsessão pela amamentação (e respectivo stress) depois de frequentar... uma reunião sobre amamentação. Achei uma lavagem ao cérebro e uma massagem ao ego da mãe que amamenta "apesar de tudo" (ainda que a criança esteja a passar fome e não aumente de peso).
    De referir que ela bebe muito pouco LA como suplemento porque estou a conseguir estimular o peito e produzir leite, mas a tensão desapareceu porque o objectivo é ela estar bem e não eu sentir-me a super-mãe porque amamentei a qualquer custo.
    E também eu fui alimentada a LA e sou e sempre fui completamente saudável.

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  19. Olá Su, degustei cada palavra escrita!

    O Rafa está maravilhoso!!

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  20. Olá Su! Gostei muito do que escreveste! Habitualmente as mães que amamentam tendem a descrever isso como uma maravilha e quase a marginalizar quem não o faz. Parabéns por teres conseguido superar as dificuldades.
    Eu não amamentei o meu filho (que tem agora 3 anos e 1/2), porque foi tudo tão difícil (o parto e a insistência da amamentação) que eu desisti sem olhar para trás. Tentei durante 1 semana, cheguei a tirar leite com a bomba e dar-lhe no biberão, mas era tão frustrante para ele e para mim que depressa acabei com aquele suplício. E não me arrependo nada.
    E tal como à Vee, toda a pressão exterior sobre as maravilhas da amamentação ajudou-me a não me arrepender de ter desistido e a já não poder ouvir falar no assunto.
    Agora com a minha filha vou tentar 1 vez, e 1 só vez. Se correr bem, correu, e se não correr bem, não vou insistir.
    O mais importante é a felicidade do bebé e dos pais, e que o bebé esteja bem alimentado.
    Beijinhos e o Rafael está lindo! :-)

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  21. Devia ter lido este post há 3 anos atrás :)
    Eu senti-me tão, mal, tão mal por não conseguir amamentar que arranjei uma bela depressão pós-parto.
    Mas hoje, graças a Deus, o meu filhote é lindo saudável. Espero conseguir para a próxima.

    Muitos parabéns e felicidades.

    Beijinho

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  22. Partilho desta opinião . É muito difícil para muitas mulheres e muitas sentem uma frustração enorme e comigo foi isso que aconteceu e demorei a interiorizar a ideia de que isso não me anulava nem diminuía como mãe.

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