A felicidade num frasco

- E a toalha, fica cá ou vai contigo?
- Oh avô já me esquecia… espera aqui um bocadinho, não te vás embora sem mim! – dizia a menininha enquanto voltava para trás a correr, tal a ânsia de chegar rapidamente ao rio.
E lá iam os dois, naquele percurso agora tão longínquo, pelos caminhos de pedras que cortavam aqui e ali, onde ocasionalmente encontravam o tio Zé Alexandre ou a tia Maria Isabel.
A ida ao rio implicava, obrigatoriamente, paragem na horta para a rega do cultivo e para ver se estava tudo como deveria estar. Não que a menina se importasse, já que isso implicava que o avô se empoleirasse na grande figueira – que era da horta do lado – para apanhar duas ou três abêberas roxas lindas e doces que ela tanto adorava e que comia com fervor.

E chegava finalmente a hora do tão esperado banho e, devagarinho para não escorregar nas pedras lamacentas, a pequena lá entrava nas águas quentes e esverdeadas com a felicidade própria de uma criança. Brincava, chapinhava e por vezes ficava parada alguns momentos até sentir pequenas cócegas provocadas pelos peixinhos que sondavam as suas perninhas.
- Por hoje já chega. Anda lá, sai e limpa-te. – dizia-lhe o avô depois de ter voltado do outro lado do rio com um garrafão de água da nascente… era tão forte o avô por conseguir trazer aquele garrafão enorme a nado...

Depois de limpa e vestida, com os cabelos ainda a pingarem, lá ia ajudar o avô a apanhar uns quantos tomates grandes e bem vermelhos que a avó pedira para o jantar. E como a fome depois de um banho de rio era sempre garantida, o avô lá lhe fazia a merenda sentados sombra da figueira. Um belo tomate aberto em quatro e salpicado de sal acompanhado por uma fatia do pão feito pela própria avó, a padeira da aldeia.
E que bem lhe sabia aquele lanche, nada comum nos dias de hoje, mas que a tornava tão, tão feliz…



A menina era eu e os tomates tornaram-se, talvez por isso, num dos meus alimentos prediletos. Crus com sal ou secos em azeite e ervas são, sem dúvida nenhuma, sinónimo de felicidade.





Tomates Secos


Ingredientes

  • Tomates chucha 
  • Tomilho q.b.
  • Sal q.b.
  • Açucar q.b.
  • Azeite q.b.

Preparação

1. Pré-aquecer o forno a 100º

2. Lavar os tomates, cortar em metades e, com o auxilio de uma colher, remover a polpa e sementes.

3. Num pirex de forno regar com uns fios de azeite e colocar as metades dos tomates com a casca voltada para baixo. Salpicar cada metade com uma pitada de açucar, uma pitada de sal e um pouco de tomilho.  Regar com mais alguns fios de azeite.

4. Levar ao forno por 3 horas. No final e depois de arrefecidos colocar num frasco hermético e regar abundantemente com azeite. Conservar no frigorifico.

Bom Apetite, Su

8 comentários:

  1. q memória deliciosa.. não sei o que são abeberas ??

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  2. Devemos sempre recordar os felizes episódios de infância...
    Beijinhos
    Belinha
    Mundo das Receitas

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  3. Linda história, eu tal como tu gosto muito de comer tomate só com sal!

    Bjs.

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  4. Que bela ideia para umas ofertas... e para ter sempre á mão para uma massa!

    Bjokas
    Rita

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  5. Su é verdade que estamos numa de recordações, li atentamente a história e na verdade são bons velhos tempos que nos trazem lembranças que nunca seram esquecidas. Os tomates fazem parte da tua vida e pronto... :)

    Beijinho

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  6. aloucura,
    falha minha que faltava o chapêusinho na palavra, mas abêberas (ou bêberas) são figos grandes pretos de interior vermelho... e que são simplesmente deliciosos!!

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  7. Obrigado pelo texto! E claro pela sugestão, gostei muito!

    Beijos.

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  8. Su, nunca tinha ouvido falar em tal fruto!

    bjs e obrig

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