Ser filho único é...

Ser filho único é ter todas as atenções dos pais, é não ter de repartir os brinquedos, o quarto ou os CD’s. É poder ter a roupa ou os sapatos que se quer porque, afinal, não há mais nenhum para dividir o montante para vestuário. É controlar, com total poder, o comando de televisão e o pacote das bolachas e, da mesma forma, o pai e a mãe. É ser o centro das atenções dos pais, dos avós, tios e vizinhos. É não ter de ser comparado com o mano que nunca faz birras ou com a mana que arranjou uma posição importante na empresa.
Ser filho único é  ter o banco de trás do carro inteiramente à nossa disposição e ser sempre o primeiro a andar nos carroceis.

Ser filho único é ter de aprender a brincar sozinho e fazer das paredes os nossos interlocutores. É não ter quem nos defenda na escola quando se metem connosco, porque os amigos só se arriscam pelos próprios irmãos e não por nós. Ser filho único é não poder roubar os brinquedos do mano nem ter com quem cochichar baixinho à noite quando o sono não chega. É não ter um olhar de cumplicidade com quem, sabemos com toda a certeza, fica sempre do nosso lado e nos encobre nos nossos desvios marotos daquele que é o caminho que os pais nos impõem.
Ser filho único é chegar aos 30 anos e sentir, mais do que nunca, que daríamos tudo para podermos conhecer o mistério da relação fraternal.

Ser filho único é ter absolutamente tudo para si e desejar, mais do que tudo, poder ter alguém para dividir tudo o que se tem…

E é por isso que, posso não ter muito mais para dar ao meu filhote, mas isso não lhe negarei.



 Bom Apetite, Su

32 comentários:

  1. Que texto lindo:) E os planos para lhe dar um maninho/a, são para já?:) bj!

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  2. Ser filho único deve ser horrível! Eu sempre tive o que necessitei e muitas vezes o que nem necessitei e tenho três maravilhosos manos, todos rapazes e todos mais velhos. Ser-se filho único é nunca saber o é que é amar sobrinhos como se de nossos filhos de tratassem, é tão bom ter sobrinhos! Enfim, eu só conheço a realidade de 6 pessoas à mesa, mas fui tão feliz com tanta gente à minha volta a mimar-me a ensinar-me a andar de bicicleta, foi tão bom!
    E agora para nos reunir-mos todos, os meus pais já compraram uma outra mesa porque uma mesa para 12 já não chega! isto é maravilhoso.
    Beijinhos querida.

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  3. Ai como eu concordo... Tenho um irmão e o que mais pedia a minha mãe era que tivesse outro filho. Tenho 3 rapazes e adorava ter mais um filho (de preferência uma menina, tá claro)

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  4. Òptimo texto!

    De facto, são duas realidades muito diferentes.
    Eu sou filha única e lembro-me que não queria ter irmãos em pequena... Agora sabia-me bem ter um elo fraterno com outra pessoa. É uma coisa que não se consegue explicar, só sentindo.

    Já há planos para um/a mano/a? :)

    Beijos

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  5. Rita,
    já já... ainda não :P

    Cidália,
    também não é horrível... tem os seus prós. Mas definitivamente, o ter irmãos tem mais aspetos positivos a meu ver :)

    Rainha Mãe,
    então toca a tentar ;)

    Luísa,
    Não espalhes rumores, mulher :P Não estou não, o meu petiz ainda precisa muito da mãe - ou pelo menos a mãe gosta de pensar que sim :P

    Carla,
    Haver há... mas não para já ;)

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  6. Que texto maravilhoso... ainda bem que sabes que é sempre melhor poder repartir tudo com um irmão... porque não são só as coisas boas que se partilham.

    Um grande grande grande beijinho

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  7. Su lindo o texto, gostei!
    Agora é só mandar vir o mano/a!

    Bjs.

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  8. Ter duas irmãs mais velhas é herdar a roupa já usada do ano passado, é ter que partilhar brinquedos usados duas vezes, é ter que dividir tudo até mesmo o nosso quarto, é receber ordens e ter que obedecer, é dividir os m&m´s e o pacote de bolachas, é saber que a nossa mãe nos vai trocar o nome, é levar uma chinelada porque a galhofa antes de dormir é demais. Não trocava as minhas irmãs por nada deste mundo e dava tudo o que tenho para ter mais duas iguais.

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  9. Gostei muito do seu texto. Não sei o que é ser filha única porque tenho mais dois irmãos, mas acredito que deve ser algo muito solitário.
    Um beijinho
    Patrícia

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  10. Que bonito Su. Fico muito contente por teres tomado essa decisão. Sou mãe de 3 crianças: A Raquel de 7 anos que nasceu com Trissomia 21 e assim me alterou todos os planos, quer profissionais quer familiares e abriu caminho para uma vida de grande felicidade (bem como desafios) em que de 2 tendo nascido ela e sendo 3 passámos depois a ser 5! Depois dela veio o meu Pipo (5 anos) e ainda o meu Joãozinho ("Joãozinho, bébé da mamã" como ele gosta de se apresentar)que tem hoje 3 aninhos. Optei por deixar de lado a minha vida profissional com o nascimento do J. e sinto-me priviligiada por o poder fazer. Com a vida profissional desgastante do pai cabe-me a mim a gestão da nossa vida até ao maiis infimo pormenor. Sou moça de sozinha agarrar nos 3 e ir até ao Jardim Zoológico, fazer pic-nics assim que começam a haver mais raios de sol a meio da tarde, fazer praia na Páscoa e não parar até Outubro. Jogo á bola tal qual uma adolescente e presentemente as bolas (3 para nós os 4) já andam mais no chão que na mão. Estou a criar os meus bichinhos com a noção de os irmãos serem os melhores amigos (como são os meus 2 irmãos para mim) e a cooperarem nas tarefas, das mais fáceis ás mais complicadas e todos fazemos um bocadinho para que o TODO seja mais rico. Ontem o meu Pipo disse "mamã eu vou sempre ajudar o joãozinho" e eu respondi "obrigada meu amor, ao ajudares o teu irmão estás também a ajudar a mamã". A generosidade, o respeito pelo outro, crescer saudável em todos os níveis depende muito da possibilidade de permitirmos que cada um se desenvolva em liberdade, explorando todas as oportunidades, dando espaço para que cada um desenvolva a sua própria personalidade mas respeitando sempre o Outro(mas é preciso que esse Outro exista). Acredito que isso só se pode aprender na partilha, partilha de afecto, brinquedos e muito principalmente em tempo disponível para eles.
    Agrego nos meus passeios com os meus filhos, no campo e na praia sempre mais 2 ou 3 crianças, filhos únicos que gravitam para nós e querem fazer parte do nosso grupinho. Os pais pedem-me desculpa e tentam que a criança vá com eles mas eu insisto para que os deixem connosco e houve uma vez que na praia tive uma menina de 4 anos a comer tomates cherry (dos nossos, plantados, regados e colhidos)sob o olhar incrédulo dos pais...
    um abraço,
    Sofia

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  11. Também penso assim, sou filha única e ainda hoje adulta desejava ter tido um irmão (confesso de preferência uma irmã) então se fosse gémea:) Ainda não sou mãe mas quando o for pelo menos de dois gostaria muito:)

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  12. Não posso concordar mais.
    Quando era pequena e adolescente andava sempre às turras com a minha irmã.
    E agora, apesar de termos feitios muito diferentes, não passo sem ela. Ela é a melhor irmã que podia desejar.
    Beijinhos

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  13. Boa Su! Eu já tenho dois, uma menina e um menino, e se pudesse tinha outro. Os meninos andam sempre a pedir. Concordo contigo qd dizes que o pequeno Rafael ainda precisa mt de ti mas os meus têm uma diferença de dezasseis meses e são uns cúmplices do pior (melhor) :))) Não é nenhum drama mas tb não é pêra doce, é como tudo tem os seus prós e contras.
    Bjocas e Bom Ano,
    Cati

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  14. Fantástico texto! Adoro ter um irmão, com tudo de bom e mau que isso significa. As vitórias dele sinto-as como minhas e as derrotas fazem-me sofrer como a ele... Mas é tão bom saber que ele está ali!
    Apesar de ser só 6 anos depois, não podia negar esse "presente" á minha filhota."O melhor presente que algum dia me podias dar era um irmão", diz ela... Vai ser menina ;)
    Ana C.

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  15. Su que lindo texto, e essa foto esta um mimo o Rafael esta tão fofo :)

    Beijinho

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  16. Adorei o que escreves-te. Leio o teu blog há imenso tempo mas julgo que nunca comentei.
    Tenho uma irmã, houve tempos em que nos demos mal e ainda hoje os feitios não são muito compatíveis em algumas coisas.
    Mas é uma alegria sem fim ter alguém com quem brincar, alguém que nos conhece desde sempre, ter alguém que sabemos estar para sempre connosco...

    Beijinho

    http://biscoitodeseda.blogspot.com/

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  17. Anche noi abbiamo un figlio unico...Buon Anno a tutti voi cara...ciao.

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  18. Sú, por momento enquanto lia o teu texto, pensei que fosses dar a noticia de uma nova gravidez! Apesar de não ter sido, fiquei a pensar que isso faz parte dos teus planos. E fazes muito bem. Nós, eu e meu marido, tinhamos isso em mente quando o meu filho ainda era bebé, mas a nossa vida deu uma volta tal que nunca nos permitiu realizar esse desejo. Agora, e apesar ser nova, já o meu filho tem 15 anos e sinto que o tempo passou. Já não faz sentido.
    Sinto que mesmo assim o meu filho tem uma boa educação e não é nada mimado, nem birrento, acho que nesse sentido acertámos na educação. Ele diz o entanto que não sente vontade de ter manos,mas já ocorreu alturas de dizer que até gostaria. Enfim. Desejo-te o melhor. O teu menino está lindo. Parabens.

    Beijinhos

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  19. Muito bom!
    Realmente, a maior riqueza que podemos dar a um filho é a oportunidade de poder partilhar a sua vida com um irmão. Eu já vou no quarto e fico por aqui (o baú do tesouro dos meus filhos já está cheio!) É uma alegria vê-los todos juntos, a serem cumplices, ainda que na malandrice, a conviverem.....E para nós, é um sonho tornado realidade. Um beijinho para si, Su e para o seu bebé.

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  20. Sou filha única e concordo em absoluto contigo. Desde cedo decidi que só um grande condicionalismo da vida me iria fazer ter só uma criança, quero poder dar à minha filha a possibilidade de ter amor fraterno.

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  21. Adorei o texto!
    Eu fui filha única durante muitos anos, e posso dizer que a vida tem mais cores quando temos com quem partilha! =)

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  22. Tenho 2 irmãos (uma irmã e um irmão) e não há nada melhor como partilhar tudo com eles :) Adoro-os! São uma parte muito importante da minha vida ;)
    O Rafael vai adorar ter um/a irmã/o, mesmo que venham daí algumas birras e muitas embirrações por coisas que no final não têm importância nenhuma.
    Beijinhos

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  23. Sou o anónimo das "gerações" da Gira aos 40". Vim cá na sequência do seu comentário...
    A primeira impressão foi(não gosto de exagerar nos adjectivos) excelente,o percurso por vários post´s muito agradável, face ao enorme bom gosto que emanam e depois dei comigo a ler este seu texto...
    Rendo-me!
    Apesar dos seus 30, e de pertencer à tal "geração", atrever-me-ia a dizer que "a desenharam muito bem"...

    PS: O "careca" pai até tem bom aspecto, mas o filhote...é lindo. Parabéns. Felicidades.

    Respeitosos e cordiais sentimentos,

    Anónimo

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    1. Anónimo,

      Só posso agradecer as suas palavras. Espero que possa continuar a acompanhar aqui este cantinho de uma mãe trintona de primeira viagem que, não sendo perfeita, faz o melhor que pode :)
      Um grande beijinho e mais uma vez obrigada .

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  24. Não gostei e não concordei com nada do texto. Ser filho único não é ser necessariamente egoísta e solitário, quantos também o são e vivem rodeados de gente. Acabem com os falsos mitos! E muitas vezes os amigos são melhores que os irmãos. Querem e podem ter muitos filhos, força, mas não falem do que não sabem. Ser filho único é uma questão de quantidade e não de qualidade!

    De uma filha única feliz e generosa!LOL

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    1. Olá Anónima,

      Desde já obrigada pela sua opinião.
      Também eu sou filha única, portanto eu falo do que sei. Mas, lá está, esta é a minha opinião apenas. Os demais não têm de concordar com ela.
      Julgo que eu também não sou egoísta e solitária - felizmente os meus pais fizeram um bom trabalho - e nem é isso que quero transmitir no meu texto. Só e apenas que uma relação fraternal é algo de que sinto falta e é algo que não quero privar ao(s) meu(s) filho(s).

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    2. Posso deixar uma palavrinha à sra anónima? Não sei o que é ser filho único. Pessoalmente, tenho pena dos filhos únicos. Pena no sentido de não conhecerem as alegrias de uma casa cheia. Pena no sentido de precisarem de mais um brinquedo para terem algo para interagir quando os pais estão ocupados. Não digo que os filhos únicos não sejam felizes. Serão concerteza, pois é essa a sua realidade. Mas uma casa cheia de gente é francamente a melhor coisa do mundo: as coisas são de todos, as tarefas são de todos, o dar e ajudar vem sempre à frente do receber e do pedir. Não o que é ser filho único. Sei apenas que não o ser é uma escola simplesmente grandiosa.

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  25. Ser filho único é apenas uma questão de quantidade e não de qualidade! Ser filho único nao é ser necessáriamente egoista e solitario, quantos tambem o sao cheios de irmaos. E os amigos podem ser melhores que os nossos irmaos!!

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  26. Olá, Parabéns pelo texto e parabéns pela (excelente) decisão. É fantástico ter irmãos, pratos postos na balança não encontro desvantagens em ter irmãos. São mesmo só vantagens, hoje, amanhã, pela vida fora. Para os irmãos, e para os pais, e para todos. Por mim falando, a minha vida é uma vida muito mais pacata em termos de tempo para mim e disponibilidade para fazer as coisas de casa agora que tenho 3 rebentos do que quando só tinha 1!!!!

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  27. Filha única, de mãe filha única, pai com dois irmãos em que ambos também ficaram por filhos únicos. Família pequena.

    Sempre quis ter irmãos, mas a minha mãe já me teve aos 37 e de cesariana complicada. Até os meus 12 anos continuava a pedir mas lá me resignei. Adorava ter tido irmãos e ainda hoje apesar de conformada, várias vezes pensava como seria a minha vida se tivesse. Por tudo que a fraternidade tem de bom, mesmo que não tivesse as facilidades económicas que tive como casa e carro dados. A minha mãe tem doença de Alzheimer e eu com 29 anos muitas vezes vejo-me perdida. Certamente um irmão seria um grande suporte para todos nós e melhor entenderia como me sinto ao ver a minha mãe assim, a impotência e a tristeza da inversão de papéis, o só querer a minha mãe de volta. O meu pai é marido, é diferente e claro também lhe custa muito mas é marido. Ter irmãos é além de partilhar alegrias e boas recordações é também ajudarem-se nos momentos difíceis e repartirem-se para dar apoio aos pais quando precisam com o mesmo carinho com que cuidaram de nós. Por vezes gostaria de ser duas para melhor apoiar os meus pais.
    Uma vez a minha mãe disse-me assim "acho que se tivesse outra filha não ia gostar tanto dela como gosto de ti". E me deixar sem palavras e emocionada com o seu jeito desajeitado de me dizer que gosta muito de mim

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