Galette Integral de Vegetais Assados, Feta e Prosciutto... em tempos modernos

Numa destas noites dei-me conta do quão privilegiados somos. Todos nós, vocês inclusive.
O vento soprava, impreterivelmente, lá fora e eu aconcheguei-me um pouco mais dentro da minha cama quentinha. Pensei como era parvo andar chateada pelo facto de a máquina de lavar loiça ter avariado quando, na realidade, tinha um teto para me abrigar nestas noites tão frias. Pensei de imediato no meu filhote que estava quente e aconchegado no quarto ao lado.

Imaginei uma mulher de vestes de serapilheira, numa casa de madeira escura e antiga com um bebé nos braços, tentando aquecê-lo e lutando contra a fome e o frio. Que visão triste…
Lamentei por todas essas mães que viveram assim no passado – e por todas aquelas que ainda hoje não conseguem proteger os seus bebés.




Dei graças por viver na era em que vivo. Apesar do que continuamente ouvimos acerca do estado do país e da sociedade, a verdade é que a qualidade de vida de hoje em dia é algo pelo qual devemos sentir-nos felizes e agradecidos.
Temos casas isoladas e aquecedores para nos proteger do fio, máquinas que nos lavam a roupa e a loiça, água quente diretamente da torneira para tomar banho quentinhos (ou para lavar a loiça quando a máquina avaria), carros que nos transportam abrigados e confortáveis, micro-ondas e bimbys que nos facilitam a vida na cozinha, fraldas descartáveis e computadores que nos permitem fazer tudo sem sair de casa.
E ainda nos queixamos. A verdade é que estamos tão habituados a um grau de conforto sem o qual já não conseguimos, sequer conceber, viver sem.  Por mim falo.


E apesar de, por várias vezes, desejar uma daquelas casas antigas com fornos a lenha rústicos, dou por mim a venerar o meu forno elétrico onde posso escolher a temperatura e definir o tempo. E é desse forno que saem tantas receitas modernas em menos de nada… mesmo ali, dentro da minha cozinha.
Mas, e apesar de toda a modernidade, nada impede de ocasionalmente fazer algo rústico como uma galette de vegetais assados.


Um resultado rústico… com todas as vantagens dos tempos modernos.


Ingredientes

Massa
  • 1 chávena de Farinha
  • 1 1/4 chávena de Farinha Integral
  • 2 c. chá de fermento em pó
  • 1 c. chá de açucar
  • 1/2 c. chá de sal
  • 1/2 chávena de água
  • 1/4 chávena de Azeite

Recheio
  • 1 beterraba crua
  • 2 cenouras médias
  • 1 fatia generosa de abóbora
  • Queijo Feta a gosto
  • 2 fatias de presunto
  • Pimenta
  • Tomilho
  • Sal
  • 1 fio de Azeite

Preparação

1.  Colocar as farinhas, o fermento, açucar e sal no copo e pulsar o turbo algumas vezes para combinar. Juntar a água e o azeite e pulsar mais algumas vezes de forma a misturar bem. Amassar um pouco a massa à mão e juntar mais um pouco de água se a massa estiver seca. Formar um disco, envolver em pelicula aderente e levar ao frigorifico no minimo 30 minutos.

2. Pré-aquecer o forno a 200º

3. Num tabuleiro de forno coberto com papel vegetal, colocar as cenouras em rodelas, a abóbora em quadrados e a beterraba em quartos, regar com o fio de azeite e polvilhar com o tomilho, pimenta e sal. Envolver bem e dispor numa única camada. Levar a assar por cerca de 30 a 40 minutos, tendo em atenção os pedaços mais pequenos e se necessário remover as cenouras e abóbora antes do final do tempo.

4. Estender a massa, numa superficie enfarinhada, num circulo. Com a ajuda do rolo, enrolar a massa no mesmo e desenrolar sobre o tabuleiro onde irá ao forno.

5. Dispor os vegetais assados - a beterrada cortada em pedaços - por cima deixando uma margem de cerca de 5 cm em toda a volta. Colocar por cima o presunto partido grosseiramente em pedaços. Fechar a massa e levar ao forno cerca de 30 a 35 minutos. A 10 minutos do final, colocar o queijo esfarelado por cima.

 
Bom Apetite, Su

28 comentários:

  1. Todo o teu texto é a mais pura das realidades e apesar de o sabermos é nos dificil recuar no grau de conforto e compreender totalmente como se vivia, ou vive em muitos casos, há tempos atrás. Daqui a uns anos iremos achar esta nossa era obsoleta, quando estivermos anos luz mais avançados e este tempo passará a ser uma visão antiga e desactualizada.Para a geração anterior estas modernices de agora só atrapalham porque faziam tudo sem elas mas o certo é que sem elas muitos de nós iríamos queixar nos!!!
    Esta galette está rústica mas fenomenal e os sabores feitos com as modernices podem ainda ser bem rusticos e reais, semelhantes aos de outrora.

    Bjoka
    Rita

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    1. Ana Rita, sim é verdade.
      Curiosamente já imaginei uma era futurista em que praticamente não nos movimentamos pois tudo é feito por nós... confeso que a ideia não me agrada, mas será que nesse tempo as pessoas conseguirão imaginar-se de outra forma?!
      Beijinhos

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  2. Falando por experiência própria, quando mais temos mais queremos, logo mais nos queixamos quando não conseguimos atingir os nossos objectivos.
    Concordo com tudo o que dizes, nós somos é uns privilegiados e deviamos agradecer diariamente o que temos, quando mais não seja a saúde.
    A tua sugestão, como sempre, é deliciosa.

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    1. Nem mais Luisa. E se por um lado isso é positivo, por outro torna-nos cegos face a tudo de bom que temos.
      Resta-nos ter a clarividência para parar e perceber o que nos rodeia.

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  3. Dear Su, you're completely right.It's really sad that in 2012 some people can't have an house or simply a good place to live.The world is (also) this :( I wish you alway the best, I love this vegetables cake, with all these colors seems that spring is near :)

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    1. meggY, unfortunettly it is so.
      As for the spring... well I just can't wait it arrives :)

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  4. Su eu assino por baixo :) na verdade reclamamos com pequenas coisas como por exemplo, o simples facto de avariar um electrodómestico sem pensar que há muita gente que não o tem,que vive com o tecto a cair (ou sem ele) sem um aquecimento, sem alimentação e nós temos tudo e mesmo assim á algo sempre que não esta bem :)
    A galette esta divinal uma veste de Inverno :)

    Beijinho

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    1. Mónica, nem mais.
      Obrigada e beijinhos :)

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  5. Su, gosto muito de ler os teus textos, escreves muito bem. Concordo com tudo!
    E a tua galette, ficou bem apetitosa.

    Bjs.

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    1. Felismina, muito obrigada :)
      Já te deixei uma mensagem lá no teu cantinho.
      Beijinho grande

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  6. Adorei o texto- concordo inteiramente- adorei a receita, tenho mesmo de experimentar! Bj

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    1. Com uma horta à porta de casa, este tipo de receitas são mesmo ideais para ti Ritinha :D

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  7. Pois é Sú, acho que tens toda a razão, mas também acho que é defeito dos portugueses andarem sempre a queixarem-se. Mas também é verdade que ainda existe muita gente que não sabe o que é o conforto de um lar. Quando penso nessas pessoas sinto-me triste, mas a vida é assim feita de muitas desigualdades. O melhor mesmo é dar-mos graças pelo que temos e viver sem grandes excessos, pois a vida não está para brincadeiras.
    Gostei imenso da tua galetta bem rústica e saudável, como já nos habituás-tes ;)

    Beijinhos

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    1. Susana, tens razão. Por isso mesmo é que devemos parar para perceber se realmente nos devemos queixar quando a porcaria de numa máquina avaria.
      Um grande beijinho

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  8. Sublime, este teu post. Pelo texto, certíssimo. Pelas fotos, brilhantes (adorei a da beterraba:). Pelo prato, rústico e reconfortante. Estás de parabéns. O teu bogue está cada vez melhor. Beijinhos

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    1. Ilídia... deixas-me sem palavras!
      Muito, muito obrigada minha querida :D

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  9. Somos, de facto, sortudos. E deviamos ser muito agradecidos pelo conforto e pela vida que vamos tendo, por nos podermos dar ao luxo de partilhar receitas que vamos inventando quando muita gente já agradece poder comer a mesma coisa todos os dias ou, pior, haverá quem agradeça ter alguma coisa para comer no dia de hoje, que amanhã já não se sabe. Ainda no outro dia, enquanto corriamos as alas do supermercado, o Vel disse-me: "já reparaste que se vê muita pobreza aqui?" E de facto era. Mesmo na loja que oferece de tudo a todos os preço havia quem estivesse a contar moedas para trazer a massa ou o arroz de marca branca, enquanto nós traziamos saquinhos de arbório... Portanto, ultimamente dou por mim a agradecer as pequenas coisas do dia-a-dia. E a viver um dia de cada vez :)

    Gostei da combinação de sabores: feta, beterraba e abóbora são divinais quando juntos!

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    1. É precisamente isso que devemos fazer, agradecer por tudo aquilo que temos e não lamentar o que não temos.

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  10. Por norma, só damos valor ao que temos quando algo grave na nossa vida acontece, pelo menos por mim falo. Passamos demasiado tempo a olhar para o que não temos do que a dar graças pelo que temos e conseguimos.
    Estou sempre a queixar-me do estado de desgraça do nosso país, a pensar que sou uma jovem sem futuro aqui mas ligo o telejornal e estão casas a ser bombardeadas na Síria e pessoas a morrer sem culpa em desastres naturais ou assassinadas em Salvador da Baía porque a polícia fez greve.
    Gostei muito da tua galette rústica!

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    1. É verdade... e ver as verdadeiras tragédias do mundo faz-nos recuar um pouco não é?

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  11. Só costumamos dar valor às coisas que temos quando as perdemos. E sim, temos de dar imenso valos ao que conquistamos a cada dia e ao conforto da nossa família. Gostei desta galette, tão rústica e moderna.
    Um beijinho.

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    1. Ginja, é por isso que devemos a determinada altura parar e pensar em tudo de bom que temos para podermos apreciar antes de as perdermos :)

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  12. Adorei o teu texto e digo-te já que penseo exactamente como tu! Bonitas imagens e palavras.. e já agora boa sorte para o frio que nao nos larga!

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  13. WAW!! It must be delicious...i try it ..sure! And a like what you write here..perfect reading

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  14. Apetece experimentar. Tens toda a razão habituamo-nos às mordomias e até mos esquecemos que muitos não as têm. Beijinhos

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  15. Su, tens toda a razão, se nos falta alguma coisa a que estamos habituadas parece que não sabemos fazer nada.
    Adorei esta galette, está perfeita, parabéns
    Um beijinho

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