Folar de Mirandela... porque a tradição ainda é o que era.


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Bem sei que esta não é a receita típica deste blog. Mas dias não são dias e este é de facto um ícone da minha infância e da minha família. E por isso não podia deixar de partilhar a experiência de o ter feito pela primeira vez.






Claro que feito pela minha avó, amassado nas bancadas enormes pelas mãos de quem realmente tinha o toque e o jeito e cozido naqueles magnificentes fornos a lenha, é algo que nunca conseguirei reproduzir.

Ainda assim, para quem está longe da aldeia, numa cidade em que já nem se sabe o que são as tradições, conseguir aproximar-me de algo que sempre esteve presente na nossa mesa pela altura da Páscoa, é algo verdadeiramente compensador e gratificante.





É um pouco uma sensação de alivio também por saber que, ainda que a distância seja grande, ainda que nunca mais possa comer um destes feito pela verdadeira Padeirinha, agora sei que não irei perder um sabor único que tantas recordações me traz.





E este folar não é como mais nenhum folar que possam comer. Este folar não é doce, mas salgado. Leva carnes e ainda que a maioria das pessoas {como eu} não as coma e na verdade gostem mesmo é do pedaço da massa molhado e salgado do onde elas estão, elas devem ser de muito boa qualidade e devem ser as que resultam da matança do porco.

Lembro-me de o comer com a minha mãe, prima  e tias à beira da lareira com uma bela caneca de café com leite e muito pouco se compara com aquele sabor {não sei porquê, mas a generalidade dos homens não são fãs deste folar}.




Ao pequeno almoço, almoço, jantar ou ceia o Folar da Páscoa faz as delicias de quem não esquece a tradição.  

Ingredientes


  • 1 Kg de Farinha
  • 10 ovos caseiros
  • 1 chávena de óleo
  • 100gr margarina
  • 2 c. chá de sal
  • 1 saqueta de fermento de padeiro seco
  • 1/3 chávena água morna
  • Carnes para rechear (presunto, chouriço, paio)

Preparação

1. Dissolver o fermento na água morna. 

2. Na cuba da MFP colocar os ovos, água com fermento, margarina, farinha e sal. Ligar o programa massa e deixar amassar.

3. No final retirar para a bancada enfarinha e voltar a amassar à mão. Formar uma bola e deixar levedar 1 hora.

4.Dividir em 2 porções e achatar cada uma numa bola. Colocar numa forma untada com azeite um dos discos e achatar com os dedos. Rechear com as carnes e cobrir com a outra porção.

5. Deixar levedar por mais 30 minutos. Levar ao forno pré-aquecido a 200º cerca de 40 minutos. Testar com uma faca até ao fundo para ver se está cozido.





Typical Easter Bread... because tradition still is the same
 

I know that this is not the typical recipe from this blog. But all the rule has its exception and this is indeed an icon from my childhood and my family. And I couldn’t help but share the experience of having done it for the first time.
Surely that made ​​by my grandmother, kneaded in those huge stands by the hands of who actually had the touch and the way and cooked in those magnificent wood stoves, is something that I can never reproduce.

Still, for those who are far from the village, in a city that does not even know what the traditions are anymore, getting closer to something that was always present at our table by the time of Easter, is something truly rewarding and gratifying.

It is somewhat a sense of relief to know that, even if the distance is great and though I shall never eat one of these made ​​by the true Baker again, now I know that I will not lose the unique flavor that brings me so many memories.
And this is not like the typical Portuguese Easter Bread. This one is not sweet but salty. It takes meat and even though most people {as I } do not eat it and actually like the wet and salty spot in where the meat lays, it should be of very good quality and should be resulting from the pig killing.

I remember eating with my mother, aunts and cousin by the fireplace with a nice mug of coffee and milk and very little compares to that flavor { I don’t know why, but the majority of men are not fans of this bread} .

At breakfast, lunch, dinner or supper the Typical Easter Bread makes the delight of those who do not forget the tradition.


Ingredients:


  • 1 kg of flour
  • 10 eggs organic
  • 1 cup of olive oil
  • 100 gr margarine
  • 2  tsp salt
  • 1 sachet of dried baker's yeast
  • 1/3 cup warm water
  • Meat for garnish (ham, chorizo​​, sausage)
 

Method

1. Dissolve the yeast in warm water.

2. In the breadmakerpu the eggs, water with yeast, margarine, flour and salt. Turn it on and let the program dough kneading.

3. In the end remove to the floured countertop and knead by hand again. Form a ball and let rise 1 hour.

4. Divide in two portions and flatten each to form a ball. Place one of the discs on a greased pan with olive oil and flatten with fingers. Fill with meat and cover with another piece.

5. Let it rise for another 30 minutes. Bake at 200 ° preheated oven for about 40 minutes. Test with a knife to the bottom to see if it is cooked.


 Bom apetite, Su

34 comentários:

  1. Incrivelmente eu nunca provei folar, nem doce, nem salgado. Às vezes penso que devo ter vivido num mundo à parte, LOL
    Mas tudo o que leva carnes salgadas eu adoro!! Adoro todos os enchidos, amo mesmo. E este folar tem um aspecto divinal! Fabuloso, mesmo. :)

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  2. Que engraçado como as tuas recordações são tão parecidas com as minhas, talvez por termos raízes tão próximas, visto resumirem-se a uns km.

    Apesar de não ser o tradicional de há uns anos atrás (visto alguns ingredientes serem considerados "ricos" para as localidades) experimenta substituir a água por leite morno.

    Beijinhos

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  3. Olá Su.
    Ficou tão bonito este folar. O meu marido, que é transmontano, só gosta destes folares de carne. Eu fui criada com os de massa doce. Hoje temos uma amiga conterrânea do meu marido que nos traz sempre pela Páscoa um folar de carnes. Sou como tu: gosto da parte molhadinha junto às carnes, mas já os enchidos do recheio dispenso.
    Um abraço.
    Patrícia

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  4. Como transmontana foi com nostalgia que hoje vi esta receita!! Curiosamente sou de muito perto de Mirandela... recordo a azáfama da Páscoa, pois tínhamos um forno comunitário e a minha tia fazia os folares de, quase, toda a aldeia. Recordo os cheiros... a alegria de passar horas e horas no forno a ver todo o processo!!
    Faziam-se folares de carne e folares doces... gosto mais dos de carne e também adoro a parte molhada que fica da carne!!

    Obrigada por me ter feito recordar!!

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  5. Olá Su
    Independentemente de se gostar muito ou pouco do folar (doce ou com carnes), o que me parece mais salutar no teu é o facto de manteres a tradição. E nós precisamos tantos destas referências, de não deixar morrer o património imaterial de gerações. Obrigada pela partilha e pelo teu saudoso contributo.
    Um abraço de boa semana.
    Guida

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  6. Realmente nos tempos que estamos a viver as tradições estão a desaparecer, isto porque também estamos numa grande crise de valores, e as tradições refletem de certo modo os valores de cada povo. Adorei o folar, porque gosto muito de folares salgados, e foi uma excelente homenagem à tua avó, que como tu dizes o fazia na perfeição, o teu não conhecendo o orginal, também ficou perfeito.

    Beijinhos,
    Joana

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  7. A minha faz um que é uma delicia, eu nunca fiz.
    Esse ficou lindo.
    Bjs

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  8. Eu adoro folar de Mirandela, costumo comprar numa mercearia tradicional na baixa do Porto, mas nunca me aventurei a fazer em casa...agora já tenho a receita ;)
    em relação aos canudos de chocolate, compro-os assim numa loja de revenda de pastelaria ;)
    beijinhos

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  9. Andamos em consonância :) Já viste a receita que fiz este fim-de-semana?

    Um grande beijinho

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  10. Ainda ontem comi uma bela fatia de um folar assim, não de Mirandela mas de Chaves. E estou tão habituada tanto a folares doces como salgados, que não me causa qualquer confusão. Quando alguém refere "folar" pergunto sempre "é doce ou salgado?" e é muito engraçado ver a reação das pessoas com olhos de espanto à minha pergunta "salgado????" ou "doce???"

    Este ano a nossa Páscoa fugiu da tradição da minha avó: a minha tia estava com gripe e então trocou-se o cabrito assado (que dispenso) pelo leitão da bairrada (que também dispenso). O pão de ló há muitos anos que deixou de ser caseiro e eu nunca consegui encontrar a forma de barro onde a minha avó o cozia. Mas estivemos juntos, e acho que, apesar de tudo, isso acaba por ser o mais importante. Sem a minha avó a família acaba por se encontrar muito menos vezes e quando ela era viva estavamos juntos quase todos os domingos...

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  11. Su, que lindo que ficou o teu folar. Nunca os comi. Faço uma nota para prová-los quando estiver em Portugal da proxima vez. Li uma vez que nada que recriamos sera tao qual o original porque alem de tudo o sabor esta enriquecido com todo um context que fica preso no tempo. Mas imagino que este teu seja tão bom quanto o que comias. Tenha uma otima semana.

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  12. A comida tem esse poder..Leva nos a tempos esquecidos e é capaz de nos trazer memórias que identificamos pelo cheiro ou sabor!!!Os folares fazem isso comigo e por mais que os faça ou até compre,não há como os que a minha avó fazia e cozia no forno de lenha. Era uma tradição desde o apanhar a lenha para acender o forno até ao cortar o primeiro folar que por vezes até queimava as mãos ,pois era tal a pressa...
    Este folar de que falo era doce e cheirava a laranja e erva doce, mas os folares salgados também se faziam,embora ficassem sempre para segundo plano....
    Adorei a tua receita e as tuas memórias...
    Bjinho
    Rita

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  13. O aspeto é excelente e a qualidade era ótima. Eu comprovei e aprovei com um excelente. É muito bom saber que temos na família pessoas que gostam e têm o prazer de partilhar as tradições que guardam dos seus familiares. Obrigado norinha linda.

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    1. Obrigada eu :)
      Fico contente por poder partilhar com a família e é importante para mim que aceitem aquilo que faço com tanto carinho.

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  14. O teu folar ficou fantástico! Com uma cor muito agradável.
    Por cá também se fez um folar salgado, eu não provei, mas gostei do cheiro que ficou na cozinha!
    beijinhos

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  15. Este folar ficou lindo... e com um ar apetitoso.. :)
    beijinhos

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  16. A família do meu namorado é de Trás-os-Montes, e por isso esse folar salgado é muito conhecido e apreciado cá por casa ;) O teu ficou lindíssimo Su, e certamente estava delicioso :)

    Beijinhos e tem um bom resto de dia :D

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  17. São tão bons os sabores e memórias que guardamos da infância... Está lindo este folar :)

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  18. Eu adoro estas tradições, as que rodeiam a nossa infância e as nossas memórias de sabores :)
    Fizeste mesmo bem, e ficou lindo, perfeito!
    Um beijinho.

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  19. Olá Su,os sabores e as memórias da infância nunca se esqueçam.Adorei a teu folar,tem um ar caseiro,reconfortante.Bjs,violeta

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  20. E que bem sabem estes sabores tradicionais!!!
    Ficou fabuloso, mas é como tu dizes, até pode ser impressão, mas estas coisas feitas pelas nossas avós tinham aquele toque....
    Saudades da minha :)
    beijinhos

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  21. Querida Su,

    ainda bem que colocaste a receita do folar e partilhaste connosco uma das tuas lindas memórias de infância.
    Lindo, by the way :D

    P.S. Sim estou toda partida, mas hj vou lá estar :P

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  22. Olá Su :)

    Perfeito esse folar de Mirandela, ainda que haja a falta das tais mãos sábias e do tal forno esplendoroso !
    Seja como for, a reprodução está excelente e tornaria orgulhosa a "Padeirinha" ! :)

    Beijinho

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  23. Olá Su,
    O folar está fantástico, mas mais ainda o texto que o acompanha, assim como o post, aquele ali abaixo sobre a tua avó, muito lindo até me emocionou!
    Bjs

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  24. Que lindo, a textura, a cor, a altura tudo perfeito! amei! um beijo

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  25. Muitos parabéns pelas suas maravilhosas receitas, pelas palavras e desabafos!

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  26. Com azeite em vez de óleo, manteiga em vez de margarina, essa é também a receita do folar que a minha mãe costumava fazer. A massa era esticada, as carnes colocadas com ligeira pressão e depois enrolado e colocado na forma (em vez de coberto com uma porção da massa).
    Com essas ligeiras diferenças, o resultado deve ser muito próximo. E eu nunca me aventurei a fazê-lo.
    Parabéns, o teu está com um aspecto maravilhoso!

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  27. Ando à imenso tempo para fazer um folar de carnes e nunca mais. Mas gostei tanto do aspecto do teu que vou levar a receita, e mesmo sem ser Páscoa vou testar.
    Um beijinho e boa semana

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  28. Olá Su,
    voltei cá pois não podia deixar de te dar os parabéns por o Suvelle Cuisine estar na lista dos 15 melhores blogues de culinária da Vogue e tão bem acompanhado.
    Acredito que deves estar radiante, achei muito merecido.
    Bjs

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  29. Que belas palavras Su! A comida tem esse poder, de nos trazer recordações...

    E está lindo o teu folar de Mirandela, provavelmente o mais elegante que já vi! E de certeza que se iguala à qualidade do verdadeiro folar da tua avó :')

    Beijinhos

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  30. Amassado em grandes tabuleiros de madeira, "Com azeite em vez de óleo, manteiga em vez de margarina", como escreveu alguém acima. Usavam-se os produtos locais/da terra no folar.

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  31. Sou brasileira mas aprendi a fazer o folar pois a minha avo era de Mirandela.
    Muito bom.

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  32. Apesar de ser brasileiro (com avós portugueses) o tradicional FOLAR também faz parte das memórias da minha infância. Meu pai (brasileiro) foi criado em Mirandela. Por causa disso, minha mãe, (brasileira), aprendeu a fazer folares salgados e os fazia muito bem, e eu cresci saboreando essa iguaria. Fiquei com água na boca ao ver as fotos desse seu. Parabéns por tentar manter essa tradição deliciosa.

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  33. Que saudades... Do falar e da avó... O segredo da massa e também dos enchidos, com os porcos e as galinhas (para as alheiras) criadas em casa com farinha de centeio e couves da horta.

    obrigada pelas memórias

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