Figos frescos com ricotta e hortelã... e a parte difícil


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É óbvio que nem tudo são rosas. É óbvio que há momentos em que as minhas forças parecem esgotar-se e em que só me apetece esconder-me debaixo dos lençóis e chorar qual Madalena arrependida. É óbvio que eu não sou nenhuma super mulher, super esposa ou super mãe. É óbvio que também não o deveria tentar ser. E menos ainda ter de o ser. 

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Quando olho para a minha vida não consigo, de forma alguma, não achar que sou uma privilegiada. Sim, tive gémeas, mas deixem-me que vos diga que só quem não os tem pode sequer pensar nisso como uma coisa má – sim, é isso que qualquer pessoa de fora pensa e pensamentos como “que horror” ou “coitados daqueles pais” estão estampados nos rostos e olhares de comiseração daqueles que do alto da sua sabedoria nos olham na rua. 

Mas, naturalmente, há momentos em que me sinto cansada… exausta… 
Há momentos em que a rotina dos horários das gémeas assume um peso quase avassalador, em que todos os passos dobrados se convertem não no dobro, mas num expoente interminável. 
Há momentos em que as batalhas com uma criança de três anos se extrapolam e nos fazem sentir a pior mãe do mundo. E depois há aqueles momentos em que as pessoas à volta, as lutas por atenção, as mãos de ferro para prevalecerem vontades me tornam naquela pessoa que não sou eu, naquela pessoa que apenas ralha e diz “Não!”… naquela pessoa que perde a paciência mais vezes do que gostaria. 

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Há aqueles momentos em que se ralho sou má, se nada faço sou pior. Há momentos em que faço aquilo que tenho de fazer para o bem dele tendo plena consciência que me vou sentir de rastos depois. 

Há momentos em que simplesmente não sei o que fazer e ajo apenas por instinto sem fazer a mais pequena ideia se estou correta ou completamente errada. Há momentos em que sou apenas a Su de 13 anos, que nada sabe da vida e muito menos o que é ser mãe. E há momentos que me sinto desamparada, mesmo com tanto apoio à minha volta. 

Há momentos em que me sinto triste, mesmo com tantos motivos para ser feliz. 

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Na verdade ninguém me disse que ia ser fácil, pelo contrário. E curiosamente muitos parecem esquecer-se de que muitas vezes não é fácil de todo. 

Ninguém me disse que a parte difícil não eram as noites por dormir ou as fraldas para trocar. Não, a parte difícil é ser-se Mãe e Pai, é não fazer o que é fácil mas antes o que nos dói no coração, é constatar que por vezes nos falham as forças mas mesmo assim termos de seguir. É sermos aquilo que temos de ser e não o que gostaríamos de ser.  

Ingredientes


  • 4-5 figos frescos
  • 1 punhado de amoras
  • 100 gr de queijo ricotta
  • 1 punhado de folhas de hortelã
  • 1 fio de geleia de Agave (ou mel)

Preparação

1. Arranjar os figos, removendo os caules e cortando em 4 longitudinalmente.

2. Num prato colocar os figos, as amoras e espalhar pequenas colheradas do queijo. Dispor as folhas de hortelã e regar com o fio da geleia. 




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 Bom apetite, Su



Fresh figs with ricotta and mint



Ingredients:


  • 4-5 fresh figs 
  • 1 handful of blackberries  
  • 100 gr of ricotta cheese 
  •  1 handful of mint leaves 
  •  1 drizzle of Agave syrup (or honey)

Method

1.Arrange the figs, remove stems and cutt into 4 lengthwise. 

2. In a dish place the figs, blackberries and spread small spoonfuls of the cheese. Arrange mint leaves and sprinkle with the drizzle of syrup.



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 Bom apetite, Su

9 comentários:

  1. E como eu te percebo... nem sempre somos aquilo que gostaríamos. Ser mão de gémeas é um privilégio - no teu caso gémeas e 1 menino - e eu gosto disso, apesar do olhar de quem passa e de tantas vezes os comentários nos quererem fazer parecer umas coitadinhas. Nessas alturas penso que ninguém faz ideia, de todo, inspiro e sei que, de facto, há privilégios que poucas têm :) beijinho Su, e não queiras ter 13 anos. Faz parte do papel de mãe estar sempre a aprender.
    Há 2 anos publiquei este post que talvez conte um pouco daquilo que todas passamos http://saborescomhistoria.wordpress.com/2012/06/01/perolas-da-maternidade/

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  2. Há dias difíceis, eu sei. Mas a vida é um presente e os filhos a maior benção. Coragem, Su!
    Quanto aos figos, perfeitos! Adoro tudo nesta receita :)
    Beijinho

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  3. Que desabafo tão sentido e genuíno!
    De uma Mulher e Mãe, sem dúvida nenhuma... com preocupações, aflições, dores, "asfixias" e certamente tantas e tantas alegrias :) Tudo faz parte.
    Não temos que ser super mulheres, nunca tivemos. Na maior parte das vezes somos nós próprias que nos direccionamos nessa direcção. Não vale a pena... O que vale a pena é fazermos sempre o melhor que conseguirmos que a recompensa virá a seguir.
    Adorei o testemunho que trás como par uma receita linda e perfeita.

    Bjinhos e Muita Força :)
    Susana

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  4. Lindo texto, gosto muito desta tua sinceridade...

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  5. É claro que há momentos difíceis, ainda não os imagino, mas sei que os há (nessa etapa da vida de ser mãe). Mas tu és forte e todo o amor vai ser mais forte que esses pequenos momentos. De certeza que fazes o melhor :) E adoro a cor da salada, lindas fotos. Parabéns pela Activa, está linda.
    Um beijinho.

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  6. Querida Su,
    Simplesmente, és mãe e és humana e daí esse turbilhão mais que natural de sentimentos e culpas e alegrias e tristezas...
    Esta tua sugestão é de bradar aos céus de maravilhosa e deliciosa!
    Um grande beijinho doce Su e não te preocupes que o teu coração de mãe guiar-te-á sempre para agires em prol dos teus rebentos e mesmo que aches que não estás a agir bem, acredita que estás e o teu coração assim o ordenou.
    Lia.

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  7. Ser mãe é aceitarmos as nossas [im]perfeições... ser mãe é encontrar forças para dar colo a um filho mesmo quando o corpo e a mente pedem descanso a meio da noite... ser mãe é uma luta constante para encontrar o equilíbrio entre o sim e o não... ser mãe é dos desafios mais 'maravilhoso-saturantes' que existem... ser mãe é aceitar que somos nós, por vezes, a precisar de colo e de mimo... ser mãe é tentar encontrar o difícil equilíbrio entre o eu e o ser a mãe dos seres mais maravilhosos que a vida nos podia ter dado mas que por vezes nos 'sugam' as energias para que os vejamos felizes! O tempo tudo amaina... melhores dias/noites virão e ao vê-los crescer felizes depressa nos esquecemos do menos bom e nos focamos nas pequenas/grandes alegrias do dia-a-dia!

    Beijinhos... força para todas as mamãs!!

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  8. Sendo tudo feito com amor, estás no bom caminho. E quando te sentires mais arreliada há sempre um petisco capaz de levantar a moral. Ou uma linda saia de tule :p

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  9. Acho que nunca comentei apesar de seguir o seu blog à muito. Desta vez não concordo com o que diz em relação a esses olhares. Pelo menos eu que adorava ter tido gémeos, olho com um misto de admiração e "inveja"...Como eu gostava! De resto acho que há momentos bons e maus mesmo que se tenha só um ou dois filhos. Ser mãe é instintivo. Na minha humilde opinião, desde que haja amor, o nosso coração dir-nos-á como agir!
    Felicidades! :)
    Ana C.

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