Pudins de leite e baunilha... e uma mensagem para ti.


{scroll down for english version}


 Tu… sim, tu!

PudinsLeite-14

Tu que me olhas com desdém quando eu me levanto para sair, quando ainda ninguém o fez. Sabes que acordo todos os dias, visto e dou o pequeno almoço a três crianças, lido com birras matinais, volto atrás para ir buscar aquele brinquedo e depois o outro, deixo-os no colégio de coração apertado enquanto se agarram no meu pescoço a perguntarem-me quando chega sábado… e ainda assim sou quase sempre a primeira a chegar?

ColPudinsLeite1

Tu que me julgas por ter estado ausente tantos meses do trabalho e que ainda tenho a lata de faltar ocasionalmente, que me julgas por me ter atrevido a gozar o meu horário reduzido de trabalho. Sabes que apenas gozei de uma hora extra diariamente quando na verdade deveria ter gozado duas e meia e que raramente gozei da minha hora de almoço? E sabes que era essa hora extra que me permitia poder parar um pouco e rir com eles por apenas cinco minutos entre os banhos, mudas de roupa, fazer o jantar, dar-lhes de jantar, arrumar a cozinha e deitá-los? 
Agora? Agora pouco tempo há para rir porque as reuniões são marcadas sempre no final do dia…

PudinsLeite-66 PudinsLeite-11

Tu que me olhas como se a minha condição de mulher te ofendesse a condição de profissional, que me vês como empecilho numa sociedade que simplesmente ainda não tem e nem quer ter espaço para as mulheres e mães. Sabes que aceito os desafios sem reclamar por medo de ser relegada para segundo plano, mesmo quando me assustam? Sabes que nunca me atrasei até hoje com o trabalho que me é confiado e que sempre cumpri e bem as minhas funções? Sabes que luto constantemente para provar que sou tão boa como aquele colega que não gozou a licença de paternidade porque tinha a mulher em casa com o bebé?

PudinsLeite-40 ColPudinsLeite2

Tu que me desvalorizas sempre que olhas para o relógio quando saio ou que assumes que sou apenas aquilo que vês à frente, que não me respeitas enquanto profissional, enquanto mulher, enquanto mãe.
A ti quero dizer-te que não faz mal. Já aprendi há muito a viver com os teus olhares, com as tuas incessantes desvalorizações da minha pessoa sejam elas conscientes ou não. 

PudinsLeite-65 PudinsLeite-60

Mas quero dizer-te também que não me conheces, não me conheces de todo. Não sabes a minha importância para as três crianças que vivem lá em casa e como a felicidade delas aumenta exponencialmente quando chego cinco minutos mais cedo… só cinco. 
Não sabes que além deste trabalho tenho outro. E outro ainda. Não sabes que passo noites acordadas quando eles estão doentes para vir trabalhar no dia seguinte. Não sabes que sou importante para o meu marido, que além de mãe dos seus filhos sou a sua mulher e companheira. Não sabes que sou importante para os meus pais e para os meus amigos.

Não me conheces e nem nunca me irás conhecer. E nunca saberás o que há para além daquilo que os teus olhos vêm.

Ingredientes


  • 1 1/2 c. de sopa de gelatina em pó
  • 3 c. sopa de água
  • 2 3/4 chávena de leite
  • 1/4 chávena de açúcar em pó
  • 1 vagem de baunilha
  • 1 c. sopa de sopa de mel
  • Compota de pêra ou outro opcional

Preparação

1. Colocar a água e a gelatina num tacho em lume baixo e mexer até que a gelatina dissolva.

2. Juntar o leite, o açúcar, as sementes da baunilha e o mel e mexer bem durante de cerca de 7 minutos.

3. Distribuir por formas (ou chávenas) e levar ao frigorifico por 4 horas ou durante a noite. Servir com um pouco de compota.

* Receita adaptada daqui

sigam o Suvelle Cuisine no Facebook Instagram }

 Bom apetite, Su



Vanilla and milk puddings... and a message for you.

You ... yes, you!

You who look me with disdain when I get up to leave, when no one did. Did you know I wake up every day, I give breakfast to three children, deal with morning tantrums, turn back to get that toy and then the other, I leave them in school with a tight heart while they cling to my neck asking when Saturday comes... and yet I am the first to arrive almost every morning?

You who judge me for having been away 5 months of work and I still have the nerve to miss occasionally, you who judge me for having dared to use my reduced working hours license. You know that only I took an extra hour every day when I should have taken two and a half and rarely did I took my lunch hour? And did you know it was that extra hour that allowed me to be able to stop a little and laugh with them for just five minutes between the baths, changes of clothes, making dinner, give them dinner, clean the kitchen and putting them to sleep?
Now? Now there is no time to laugh because the meetings are always scheduled at the end of the day ...

You who look at me as if my womanhood offends your professional status, that you see me as a hindrance in a society that simply does not have or want to have space for women and mothers. Did you know that I accept challenges without complaint for fear of being relegated to a second plan, even when they scare me? Did you know I have never been late with the work that is entrusted to me and that I have always fulfilled my duties well? Did you know I struggle constantly to prove I'm as good as that male colleague who did not enjoy his paternity leave because he had a wife at home with his baby?

You who depreciate me whenever you look at the clock when I leave or when you assume I'm just what you see in front of you, you who don’t respect me as a professional, as a woman, as a mother.
To you I want to tell you that it’s alright. I have learned long ago to live with your looks, with your incessant devaluations of me whether conscious or not.

But I also want to tell you that do not know me, you do not know me at all. You do not know my importance to the three children who live at home and how their happiness increases exponentially when I get home five minutes earlier ... only five.
You do not know that beyond this work I have another. And yet another. You do not know I stay up at night when they are sick and I come to work the next day. You do not you know that I am important to my husband, to whom I am, besides mother of his children, his woman and his companion. You do not know that I'm important to my parents and to my friends.

You do not know me and you will never know me. And you will never know what lays beyond of what is in the reach of your eyes.


Ingredients:


  • 1 1/2 tblspoon powdered gelatine
  • tblspoon water
  • 2 3/4 cup milk
  • 1/4 cup caster sugar
  • 1 vanilla pod
  • tblspoon honey
  • Pear compote or any other


Method

1. Place the gelatine and water in a saucepan over low heat and stir until dissolved. 

2. Add the milk, sugar, honey and vanilla seeds and heat, stirring until the sugar is dissolved, for 7 minutes. 

3. Pour into small cups and refrigerate for 4 hours or overnight. Serve with compote.

Recipe adapted from here


follow Suvelle Cuisine on Facebook and Instagram}

 Bom apetite, Su

23 comentários:

  1. Bem fortes essas palavraa, e mercidas és julgada sem razao...
    Tenho a certeza que esses pudins foram um sucesso!
    Beijinhos,
    http://sudelicia.blogspot.pt

    ResponderEliminar
  2. Ui .... Acho que o teu chefe (ou colega) não vai gostar nada destas palavras... :-P Mas sim, tens razão, e infelizmente nesta sociedade parece que as pessoas nasceram "de ovos" e não da barriga de uma mãe ! Triste este país que nos condena por querermos ser mães! Bjs

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Não se trata de 1 chefe ou 1 colega, trata-se infelizmente de toda uma cultura que se está a enraizar... e que pena isso é.
      Beijinho

      Eliminar
  3. Que lindo texto... Até perdi as palavras...
    Muito obrigada pela receita dessa delícia!
    Esses pudins ficaram com um aspecto fantástico..!
    Beijinhos** ;)

    ResponderEliminar
  4. Um beijinho Su. O que nos vale é que aprendemos a confiar no nosso valor enquanto mães, mulheres e profissionais. Não mais nos pode ser exigido do tanto que damos em todas estas áreas. T.

    ResponderEliminar
  5. Forte Su, Parabéns pela receita e pelas palavras , muitas vezes determinadas pessoas agem desta forma porque lhes faltam uma vida preenchida de amor , como a sua
    Um beijinho

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Acho que as pessoas apenas julgam porque é fácil julgar quando não se conhece tudo o resto.
      Beijinhos :)

      Eliminar
  6. Só uma pessoa muito amargurada pode 'desdenhar' de quem, cumprindo as suas obrigações(!), tem a família como prioridade!!

    PS: Aspecto delicioso esse lanche! Ternura na foto da mão que alimenta!!

    ResponderEliminar
  7. Su... querida
    Tinha escrito um comentário, mas não está aqui...
    Digo apenas que este texto devia estar emoldurado em gabinetes de chefias e nos armários onde alguns colegas expõem orgulhosamente os desenhos feitos pelos filhos!
    Um lanche delicioso e perfeito para os teus meninos lindos.
    Muitos beijinhos... meus e da Carolina
    Cláudia

    ResponderEliminar
  8. Olá Su!
    Transcrevo as tuas palavras e as da DonaB.
    É dificil ser mulher neste país, esposa nem se fala e mãe nem tenho por onde começar.
    Este texto era bom para quem um dia, numa entrevista de trabalho, me perguntou o que tinha eu a dizer em relação ao meu constrangimento familiar - o constrangimento era o meu filho, de 4 anos..... e o mais incrível é que o entrevistador era uma mulher, casada e mãe de três filhos....
    Parabéns pelo grito de coragem!

    PS: e que lindos ficaram os teus pudinzinhos... perfeitos. Como são todos os nossos filhos. O melhor deste mundo

    ResponderEliminar
  9. Obrigada por partilhares esta realidade! Admiro a tua coragem de fazer este post.

    'e uma infeliz realidade, 'e necessário falar sobre ela para se poder começar a mudar os comportamentos.
    Nos Estados Unidos muitas empresas estão a fazer o embrace do Lean In movement pela Sheryl Sandberg.
    Ela fala de igualdade dos sexos e respeito

    Ser Mulher e Mãe não deveria ser uma limitação de carreira

    ResponderEliminar
  10. Muitas verdades foram ditas neste post, devia ser publicado num jornal daqueles de renome. Adoro a simplicidade das tuas imagens e a luz branca, transmite sempre uma tranquilidade... daquelas que não existe numa casa com 3 crianças :D beijos

    ResponderEliminar
  11. Pois, é uma triste realidade. Não sei ao certo o que sinto por essas pessoas que perpetuam essa realidade, esse desiquilibrio entre trabalho e família, essa inversão de valores, essa falta de ética e desrespeito mascarada de "profissionalismo" e do "tem que ser porque o país está muito mal". No fundo existem muitas desculpas para a falta de espinha dorsal. Por um lado sinto pena, por outro só sinto asco.

    ResponderEliminar
  12. ADOREI, amei este teu post. Este teu texto devia estar emoldurado em muitas empresas. É uma mensagem forte, tão verdadeira, tão importante. E todas nós mulheres devíamos lutar por isto, assim, como tu o fizeste, aqui tão bem descrito.

    (não tenho conseguido comentar, mas quero que saibas que te leio sempre ;) )

    Kisses,
    MJ

    ResponderEliminar
  13. Ola Su, assino por baixo! Infelizmente é uma questão de mentalidades.... admiro-te muito e sigo o teu trabalho sempre atentamente. Penso que de uma maneira ou de outra todas as mulheres mães sentem esta "descrição".
    Muitos parabéns pelo post e receita.
    Bjinhos

    ResponderEliminar
  14. Uma mensagem cheia de verdade ainda em muitos sítios, nalguns até nem precisa de ser por homens digo-te já. Há tanta incompreensão e falta de respeito pelos trabalhadores, tanto oportunismo, tanto pisa e pisa e volta a pisar. Mereces ser lida.
    E adoro a luz das tuas fotografias, tão perfeita e calma, e esses pudins lindos.
    Um beijinho.

    ResponderEliminar
  15. Sem palavras.
    Parabéns, Sue!

    ResponderEliminar
  16. FANTÁSTICO Su!!
    Há que arrasar com esta sociedade machista que teima em diminuir o nosso papel e que se esquecem que estão neste mundo porque eles próprios tiveram uma mãe que os deu à luz e, possivelmente, sentiu na pele o que tu sentes diariamente e que eu também já senti. BRAVO!!
    Fantásticos estes teus pudins e as imagens são brutalmente lindas!
    Beijinhos minha doce Su,
    Lia

    ResponderEliminar