Biológico? Como saber ler os rótulos


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A propósito do artigo da revista Visão sobre a fraude nos biológicos e da opinião que partilhei no facebook, e depois de ter tido várias pessoas a questionarem-me sobre como saber ler corretamente os rótulos e embalagens achei por bem trazer o tema para um post completo. O post vai ser um pouco longo, mas por favor não desistam já.

Quem me acompanha sabe que sou completamente pró biológico. Acredito que somos aquilo que comemos e acredito que muitas das doenças da atualidade estão relacionadas com as quantidades de químicos a que estamos sujeitos na nossa alimentação.

Por essa razão procurei, desde há muito tempo, informar-me sempre o melhor possível de forma a conseguir fazer as melhores escolhas dentro da minha casa.

Notem como referi dentro da minha casa. Isto porque estou plenamente consciente de que infelizmente não temos controlo sobre absolutamente tudo o que comemos - especialmente fora de casa - e porque não sou apologista de fundamentalismos. Fundamentalismos esses que me parece terem ganho terreno nos últimos tempos no que à alimentação se refere.

Vieram as modas das receitas 'sem glúten', 'sem lactose', 'sem farinha', 'sem...' o que, inevitavelmente acabou por levar a que muitas pessoas confundam o que significa uma alimentação saudável e biológica com todos estes termos - que muitas vezes não passam senão de estratégias de marketing.

E na verdade o grande problema é, em grande parte das vezes, não só todas essas estratégias de marketing que nos levam a pensar exatamente como as grandes empresas querem que façamos, mas também a desinformação que existe e até mesmo o não uso no nosso próprio bom senso.


Mas o que será afinal mais saudável? Um pote de fruta certificado como biológico (vamos assumir que é verdadeiramente bio e não adulterado) ou uma maçã colhida da árvore da casa dos nossos avós?

A resposta não é assim tão fácil quanto se possa pensar e vou deixar que pensem por vocês mesmos, usando naturalmente o vosso instinto e bom senso. E que vos fique hoje de lição que, por mais opiniões e estudos e até mesmo artigos de revistas conceituadas que leiamos, devemos sempre questionar e pensar por nós próprios.

E é precisamente por isto que as nossas escolhas devem ser bem informadas. Independentemente daquilo que escolhemos acreditar, é importante também termos uma mente aberta para saber aceitar novos factos e dados. Só assim conseguiremos fazer escolhas certas - ou pelo menos com a consciência de que o fizemos com a nossa melhor capacidade crítica.

Eu procuro sempre comprar biológico, mas estou plenamente ciente do que significa um produto certificado como biológico. E é precisamente aqui neste ponto que me parece haver um grande equívoco na grande maioria dos consumidores.

É que um produto certificado como biológico não significa que não é produzido com recurso a químicos. Simplesmente que o é de acordo com determinadas regras quanto a esse uso estipuladas por entidades reguladoras.

"A Agricultura Biológica é um modo de produção que visa produzir alimentos e fibras têxteis de elevada qualidade, saudáveis, ao mesmo tempo que promove práticas sustentáveis e de impacto positivo no ecossistema agrícola. Assim, através do uso adequado de métodos preventivos e culturais, tais como as rotações, os adubos verdes, a compostagem, as consociações e a instalação de sebes vivas, entre outros, fomenta a melhoria da fertilidade do solo e a biodiversidade.Em Agricultura Biológica, não se recorre à aplicação de pesticidas nem adubos químicos de síntese, nem ao uso de organismos geneticamente modificados. Desta forma, garante-se o direito à escolha do consumidor e é salvaguardada a saúde do consumidor, ao evitar resíduos químicos nos alimentos. É, além disso, salvaguardada a saúde dos produtores, que evitam o contacto com químicos nocivos e preserva-se o ambiente da contaminação de poluentes, cuja actual carga sobre os solos e as águas é, em grande parte, da responsabilidade de sistemas intensivos de agropecuária.

A produção animal biológica pauta-se por normas de ética e respeito pelo bem-estar animal, praticando uma alimentação adequada à sua fisiologia e facultando condições ambientais que permitam aos animais expressar os seus comportamentos naturais e não recorre ao uso de hormonas nem antibióticos como promotores de crescimento. (...)

Na Europa, a Agricultura Biológica é alvo de legislação específica, o Reg. (CE) n.º 834/2007 do Conselho de 28 de junho, relativo à produção biológica e à rotulagem dos produtos biológicos, estabelecendo normas detalhadas cujo cumprimento é controlado e certificado por organismos acreditados para o efeito. Os produtos de Agricultura Biológica são reconhecidos pelo logótipo europeu de Agricultura Biológica."

Fonte: Agrobio

E a bem da verdade, nem mesmo quando compramos na praça da terra, onde aquele senhor mais velhote vende estamos a comprar um produto sem recurso a químicos porque eles próprios os usam - e sem qualquer legislação.

Agora, o que é também muito importante ter noção é que, de entre todas as alternativas que temos disponíveis, podemos e devemos escolher aquela que for melhor - mesmo que não seja a perfeita. E portanto, escusado será dizer que entre um produto que é regulado e legislado no que se refere à sua produção e outro que é produzido em massa sem qualquer tipo de controlo, a escolha deve sempre recair no primeiro.

O que nos leva à seguinte questão:


Em primeiro lugar é importante ter em mente o que é que identifica concretamente um produto biológico. E não é mais do que o selo verde que representa uma folha com estrelas - podem ver aqui


Por mais bonita que uma embalagem possa ser, por mais verde, por mais logotipos que procurem apelar ao natural, ao ecológico, etc. apenas e só a presença do selo determina que é um produto proveniente de agricultura biológica certificada.

Atenção que - e este ponto pode ser uma rasteira - não quer dizer que não existam produtores biológicos que não sejam certificados. Um produtor pode sim fazer uma agricultura biológica e simplesmente não ser certificado mas isso implica que se conheça esse produtor e se confie no mesmo.

Claro que, face à reportagem da revista Visão, existirá agora alguma desconfiança face a esse selo, mas quero acreditar que as entidades competentes tomarão a devida ação e que 90% dos produtores são realmente de confiança.

A verdade é que o negócio dos produtos biológicos tem aumentado muito e eu própria já me tinha questionado sobre o risco potencial que isso traz para o consumidor. Há por isso uma série de outras regras que sigo e que partilho com vocês:

O valor é algo pelo que me guio. Um produto biológico tem necessariamente mais custo para o produtor, e por forma a poder ter alguma margem de lucro, o mesmo tem naturalmente de ser mais caro do que um produto produzido em massa - um frango que segue um ciclo de vida natural não pode nunca custar 1€ como um frango que cresce, literalmente, numa semana.

Flocos de Aveia de produção biológica são sempre mais caros - salvo promoções esporádicas - do que os que não são ainda que os mesmos venham numa embalagem de uma marca que supostamente é muito "natural".

Claro que existe também por vezes alguma inflação nos preços dos produtos biológicos - e talvez algum aproveitamento - mas uma vez mais cabe-nos a nós usar o nosso bom senso. Comprar tomates nesta altura - que é a época deles - que não sejam certificados como biológicos para mim não é algo grave.

Outras considerações a ter na hora de ler os rótulos (ainda que não necessariamente tenha a ver com ser ou não biológico):

  • A lista de ingredientes deve ser o mais pequena possível - quanto maior a lista, pior é o artigo que estamos a comprar. Um pão deve ter na sua lista de ingredientes farinha, água e sal. Mas mesmo que tenha mais, devem ser termos reconhecidos facilmente. Tudo aquilo que não reconhece de imediato é possivelmente porque não deveria lá estar - e dá-lhe uma excelente oportunidade para ir pesquisar mais sobre o tema.

  • Os ingredientes aparecem sempre pela ordem de maior quantidade para a menor quantidade. Escusado será dizer que produtos com açúcar no início também não são uma ótima escolha - ah, e o açúcar pode estar identificado com vários nomes: dextrose, frutose, glucose,... Mas ainda neste tema atenção, porque agora também não faltam mil e um produtos sem açúcar adicionado, mas que estão carregados de adoçantes artificiais nocivos e outras coisas não identificáveis pelo comum mortal e que, vistas bem as coisas, acabam por ser uma opção ainda pior. O que escolher neste caso então? Uma vez mais reitero que deve reinar o bom senso. Dar um ovo kinder aos meus filhos num momento muito especifico não me surge como algo mau, o que certamente não faço é dar-lhes douradinhos ao jantar todas as semanas.

  • A informação nutricional também pode ser apresentada por unidades diferentes. Numa determinada marca/embalagem pode estar por 100gr e noutra por porção, sendo que a porção podem ser apenas 30gr. É importante validar que não estamos a comparar alhos com bugalhos.

  • O contexto do que estamos a comprar é extremamente importante. Bolachas com 20 ingredientes? Não! Azeite com 100% gordura? Claro que sim! 30% de açúcar em cereais de pequeno almoço? Não!

Para terminar, e porque nunca é demais lembrar, é importante sabermos o que estamos a comprar, é importante ter sentido crítico, é importante não sermos fundamentalistas e usarmos o bom senso.

E dito tudo isto, resta-me ressalvar o facto de que eu não sou nutricionista, não tenho qualquer formação na área e todas as opiniões neste artigo são exclusivamente minhas e fundamentadas com base nas minhas experiências e na minha vida. Mas naturalmente aberta a ser contrariada.

#Organic #Biológico #Healthy #GoodFood

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