Envelhecer de forma natural - sim ou não?

Natural Aging - yes or no?


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Tenho dado por mim frequentemente a ponderar algumas das minhas ações sobre o tema do envelhecimento natural. Não que não concorde com que cada mulher faça e opte por aquilo que realmente quer - aliás sou fervorosa defensora disso mesmo. E também no campo da intervenção da medicina estética acho positivo o facto de hoje em dia - e cada vez mais - existirem opções para melhorar o nosso aspeto e até mesmo a forma como nos sentimos por dentro e a nossa autoestima.


No entanto há algo que também me incomoda. O facto de que estamos numa era em que quase não é permitido envelhecer de forma natural. Não são aceites rugas nem marcas de expressão de forma alguma, não são aceites linhas na testa, não são aceites lábios finos e tão pouco é aceite a aparência natural de uma mulher saudável e cuidada que envelhece de forma natural, sem demasiados artifícios.

E o pior mesmo, aquilo que realmente me incomoda, é o estamos a viver um tempo em que a beleza se uniformiza cada vez mais. Quando entro nas redes sociais, quando abro uma revista ou acedo à televisão, fico com a sensação de que as mulheres estão cada vez mais todas iguais, com feições idênticas e traços semelhantes. E ainda que saiba e aceite que a própria beleza é um reflexo da era que se vive no momento, sinto que é uma perda inestimável o facto de já quase não haver espaço para a diferença, para as características que tornam cada pessoa - não apenas cada mulher - única.


Numa altura em que tanto se promove a diferença, sobretudo no que toca à aceitação do corpo e da cor da pele, é verdadeiramente irónico que a beleza se mova num único sentido sem espaço para mais nada.


E a verdade é que, em resultado de uma imagem e mensagem que me são ´vendidas´ constantemente, dei por mim com 38 anos a sentir vergonha das minhas marcas de expressão, do meu rosto demasiado magro com ossos proeminentes, dos meus lábios finos e olhos pequeninos. E sabem o que é mais engraçado? Quando penso seriamente nisso tenho a certeza que se a minha versão de 20 anos olhasse para a minha versão atual iria sentir-se satisfeita pela forma como atravessei os anos e não seria, de todo, tão crítica como eu sou.


Mas é também neste momento que sinto que é imperativo eu dizer basta. Não só por mim - muito menos por mim na verdade - mas pelo legado que quero deixar às minhas filhas. Como poderei eu dizer-lhes daqui a uns anos que são bonitas exatamente como são, com todas as suas diferenças, se eu própria não for capaz de o fazer e de lhes dar esse exemplo?


Como poderei explicar-lhes que não precisam de lábios mais volumosos com 20 anos ou transformações no rosto para corrigir imperfeições que na verdade não existem, se eu própria não aceitar que as diferenças, as marcas e o envelhecimento natural também podem tornar uma mulher madura bonita?


A verdade é que não posso. E não querendo ser de forma alguma extremista, até porque sou a favor de certas melhorias e tratamentos, julgo que é acima de tudo importante começar a passar uma mensagem diferente. E para poder ver as minhas filhas cresceram como espero, é precisamente neste momento que tenho de começar.


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I have often found myself pondering some of my actions on the topic of natural aging. Not that I don't agree with each woman doing and choosing what she really wants - in fact, I am a fervent supporter of that. And also in the field of aesthetic medicine intervention I find it positive that today - and increasingly - there are options to improve our appearance and even the way we feel inside and our self-esteem.


However, there is something that bothers me as well. The fact that we are in an age when it is almost not allowed to age naturally. Wrinkles and expression marks are not accepted in any way, lines on the forehead are not accepted, thin lips are not accepted, nor is the natural appearance of a healthy and cared-for woman who ages naturally without too many devices accepted.

And the worst thing, what really bothers me, is that we are living in a time when beauty is becoming more and more uniform. When I go on social media, when I open a magazine or access television, I get the feeling that women are increasingly all the same, with identical features and similar features. And even though I know and accept that beauty itself is a reflection of the era we live in at the moment, I feel it is an invaluable loss that there is almost no room for difference, for the characteristics that make each person - not just each woman - single.


At a time when so much difference is being promoted, especially when it comes to accepting the body and the color of the skin, it is truly ironic that beauty moves in a single direction with no room for anything else.


And the truth is that, as a result of an image and message that are constantly 'sold' to me, I found myself 38 years old feeling ashamed of my expression marks, of my too thin face with prominent bones, of my thin lips and tiny eyes. And you know what's funnier? When I seriously think about it, I am sure that if my 20 year old version looked at my current version I would be satisfied with the way I went through the years and it wouldn't be as critical as I am.


But it is also at this moment that I feel it is imperative that I say enough Not only for me - much less for me actually - but for the legacy that I want to leave to my daughters. How can I tell them in a few years that they are beautiful exactly as they are, with all their differences, if I am not able to do it myself and set an example for them?


How can I explain to them that they do not need fuller lips with 20 years old or changes in the face to correct imperfections that do not actually exist, if I myself do not accept that differences, marks and natural aging can also make a mature woman beautiful ?


The truth is, I can't. And in no way wanting to be an extremist, because I am in favor of certain improvements and treatments, I think it is above all important to start sending a different message. And in order to see my daughters grow up as I expect, it is precisely at this moment that I have to start.














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